Jantar no Escuro: um convite aos sentidos
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Jantar no Escuro: um convite aos sentidos

Equipe MegaCurioso

Despertar os sentidos durante uma refeição é a proposta do Ateliê No Escuro Gastronomia, mas para isso é preciso fazer algo bem diferente: abrir mão da visão. É isso mesmo! Uma boa maneira para aguçar o paladar, o olfato a audição e o tato é vendar os olhos.

As idealizadoras do projeto, Elis Feldman e Maria Lyra, criaram o Jantar no Escuro a partir de uma experiência que tiveram em 2008, num restaurante em Paris. Elas afirmam que por vivermos em uma cultura extremamente visual, o objetivo do jantar é permitir que as pessoas, ao se privarem da visão, deem espaço a novas sensações, impossíveis de serem notadas na correria do dia a dia.

A ideia de fazer atividades no escuro foi concebida pelo alemão Andreas Heinecke, num projeto que permitia que os visitantes fossem guiados por deficientes visuais através de espaços diferentes, na escuridão total. Quem passou por essa experiência declara que, de olhos vendados, é possível ver além, perceber o mundo em volta de maneira diferente e, ainda, conhecer melhor a si mesmo.


Como funciona

No jantar às escuras, tudo começa com as vendas. As chefs tampam cuidadosamente os olhos de todos os clientes da noite e os direcionam para seus lugares. A primeira dificuldade, além da curiosidade e da ansiedade que são demonstradas durante a espera, é identificar os pratos, copos e talheres. Coisas como beber um copo de água ou levar o garfo à boca, que fazemos inconscientemente, tomam uma complexidade inesperada.

A próxima surpresa é o menu. Todos vão para o jantar sem saber o que vão saborear (mas não se preocupe: as chefs levam em consideração as restrições alimentares do público). O jantar é completo – entrada, prato principal e sobremesa. Os pratos são preparados de forma a explorar ao máximo os aromas, texturas e sabores dos alimentos, criando combinações inusitadas e instigantes. E aqui é o momento de explorar o paladar, juntamente com o tato. Molhos, caldas, massas, folhas – um prato cheio para divertir o tato dos visitantes que, no início da noite, são aconselhados a comer com as mãos. O uso das mãos, segundo Elis e Maria, é para que o cliente tenha liberdade, volte aos tempos de criança, quando era permitido comer assim, e sinta prazer em se lambuzar e aproveitar melhor as sensações que os alimentos podem proporcionar.

Mas não acaba aqui! Para completar a experiência sinestésica, músicas calmas e tranquilas tocadas ao vivo são escolhidas para preencher o ambiente, que traz um vento leve e aroma de flores no ar. Sinos são usados para chamar a atenção dos convidados na troca dos pratos. E, o mais estimulante, poesias são declamadas em vários momentos do jantar, levando algumas pessoas inclusive ao choro.

No final da noite, depois de tirarem as vendas, as pessoas se divertem tentando adivinhar o que foi saboreado. Os responsáveis pelo preparo dos pratos reúnem o público e saciam a curiosidade dos visitantes. E eles ressaltam a dificuldade das pessoas em acertar o que comeram: existem clientes que se surpreendem ao descobrir que comeram algo que nunca imaginariam...

Esses encontros de gastronomia, música e literatura acontecem na cidade de São Paulo, em diversos restaurantes, mas a equipe também atende jantares particulares e empresariais. Para acompanhar a agenda, consulte o site do projeto Ateliê No Escuro Gastronomia.

Serviço:

Ateliê No Escuro Gastronomia
www.noescurogastronomia.com.br
Preço: de R$ 80 a R$ 150
Duração aproximada: 2 horas

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