Clientes de sexo pago são mais propensos a praticar estupro, diz estudo
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Clientes de sexo pago são mais propensos a praticar estupro, diz estudo

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Homens que compram sexo podem não ser apenas “caras bacanas sexualmente frustrados”, segundo afirmou a pesquisadora Melissa Farley em entrevista ao site Independent. Ela é a autora principal de um estudo que analisou o comportamento de homens que pagam para ter relações sexuais e outros que não pagam.

A afirmação de Farley é baseada na conclusão dessa pesquisa, realizada pela Universidade da Califórnia, nos Estados Unidos, que analisou 101 indivíduos de cada grupo de características. O trabalho constatou que os adeptos do sexo pago têm menos empatia por prostitutas do que os que não usam esse tipo de serviço. Esse comportamento é refletido pela visão que os pagadores têm sobre as profissionais do sexo, já que “intrinsicamente, eles as consideram diferentes de outras mulheres”.

Outra constatação do estudo é que homens que pagam por relações com prostitutas têm mais propensão a estuprar mulheres ou praticar sexo violento com elas. Algumas de suas características são preferência por sexo impessoal, medo de rejeição pelas parceiras, histórico de agressividade e autoidentificação masculina hostil. Esses pontos são comuns tanto aos adeptos do sexo pago quanto aos homens que cometem violência sexual, segundo o professor da Universidade da Califórnia Neil Malamuth.

Por isso, Melissa Farley defende a afirmação do início do texto, e os pesquisadores argumentam que os resultados reforçam a tese de que a prostituição é uma forma de abuso sexual, e não uma escolha ou uma profissão. Farley comanda um grupo voluntário de pesquisa e educação sobre o tema em São Francisco, EUA. Ela ressalta que mulheres profissionais do sexo tendem a ser econômica e etnicamente marginalizadas.

Luta por leis mais rígidas

A Sra. Farley ainda briga por uma mudança na lei, dados os níveis significantes de atitudes e comportamento sexual agressivos apresentados pelos clientes de prostituição. “Uma medida mais progressista seria a tomada em países como a Suécia e a Noruega. O modelo desses locais prende os compradores de sexo e descriminaliza as mulheres na prostituição, providenciando saídas alternativas para elas”, explicou a autora.

O número de prostitutas em Estocolmo reduziu de 700 para 200, desde que a criminalização de clientes de sexo foi adotada na Suécia. Essa medida está em vigor no país desde 1999.

Outra visão

De acordo com uma representante de um grupo de prostitutas da Inglaterra, Laura Watson, mesmo sem analisar o estudo, pode-se desconfiar das constatações. “Nós já vimos em pesquisas passadas que foram executadas de outra forma que em última análise, as profissionais e sua segurança ficavam prejudicadas. Porém, mais tarde, esses estudos foram desacreditados”, ressaltou.

Uma pesquisa realizada por cientistas do Colégio Universitário de Londres no último ano mostrou que um em cada 10 britânicos pagaram por sexo em 2014.

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