O cérebro de alguém decapitado fica consciente até morrer de verdade?
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O cérebro de alguém decapitado fica consciente até morrer de verdade?

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“Você não passa de um monte de neurônios” é uma frase célebre do biólogo molecular Francis Crick, um dos responsáveis pela descoberta do genoma humano. Segundo ele, todas as nossas percepções, incluindo sentimentos, crenças, movimentos e, claro, a nossa própria existência, são resultado do trabalho perfeito de células neurais. Essa ideia deu origem ao que hoje é conhecido como A Hipótese Surpreendente de Crick.

A interação entre células neurais ocorre por meio de neurotransmissores que, quando estimulados, nos levam a pensar, andar, sentir, falar. Essas sensações/informações são constituídas e gravadas para serem usadas ao longo de nossas vidas. É como o seu histórico de navegação na internet: depois de visitar um site pela primeira vez, o endereço ficará gravado.

Ondas cerebrais

Francis Crick Fonte da imagem: Reprodução/Wikipedia

Esse conceito, apesar de parecer mecânico demais, explica os estímulos elétricos que correm em nosso cérebro e os traduz como um traço deixado por nossos neurotransmissores. É por isso que a existência de ondas cerebrais, detectadas por eletroencefalografias, indicam que uma pessoa está consciente.

Uma pesquisa realizada em 2011 pela universidade holandesa Radboud Nijmegen monitorou o cérebro de ratos decapitados para acompanhar suas atividades neurológicas. A conclusão foi de que, por até 4 segundos após a separação do resto do corpo, os cérebros dos animais continuavam a trabalhar e gerar energia de até 100 Hz, número suficiente para haver consciência e cognição, em um processo que inclui o pensamento.

Esse estudo sugeriu, portanto, que o cérebro – pelo menos em ratos – é capaz de continuar pensando e sentindo por alguns segundos mesmo depois de cabeça e corpo terem sido separados.

História

Fonte da imagem: Reprodução/Cristoraul

Historicamente, a decapitação foi um processo bastante usado como forma de punição legal e cristã, passando por vários processos até a guilhotina ser inventada no século 18 por um médico, com a intenção de deixar o processo menos chocante. Há relatos, inclusive, de pessoas que viram expressões faciais nos rostos de decapitados – vem daí a dúvida a respeito da consciência ou não no momento da execução.

A ideia de que esses movimentos poderiam ser apenas reflexos musculares é a mais defendida por especialistas atualmente. Quando a cabeça é separada do corpo, o cérebro deixa de receber sangue e, consequentemente, oxigênio. É isso que o mata em questão de segundos.

Relatos

Fonte da imagem: Reprodução/Anguishedrepose

A grande dúvida atual é saber quantos são esses segundos; afinal, mesmo que poucos, eles podem fazer com que a pessoa prestes a morrer tenha momentos de muita dor e sofrimento. Basta que você conte até 4 e perceba que esse tempo, na verdade, pode significar muito para quem está com muita dor e desespero. Há estudos feitos com outros mamíferos indicando o tempo recorde de 26 segundos de consciência pós-decapitação. Nessa hipótese, a contagem é ainda mais cruel.

Um relato dado por um soldado em 1989, depois de sofrer um acidente ao lado de um amigo que perdeu a cabeça, descreveu a expressão do homem: “Primeiro foi um choque ou uma confusão, depois foi terror e tristeza”. O soldado ainda disse que a vítima fez movimentos com os olhos, direcionando-os em direção ao amigo, ao próprio corpo e ao amigo novamente, olhando-o diretamente nos olhos.

Dúvida

Fonte da imagem: Reprodução/Emiliosilveravazquez

Há relatos históricos de que a rainha Ana Bolena teria tentado falar mesmo depois de ter sido decapitada. Além disso, um estudo feito em 1905 por Dr. Beaurieux revelou a reação de um criminoso após a decapitação. Segundo os relatos da época, o homem chegou a falar duas vezes o nome da pessoa que tinha cortado seu pescoço. Será?

A verdade é que é muito difícil ter certeza absoluta a respeito do que ocorre com quem é decapitado, até porque a resposta pode ser diferente de pessoa para pessoa. Sabemos, contudo, que as atividades cerebrais continuam ativas por mais alguns segundos após a separação do corpo e da cabeça. E aí, qual é a sua opinião a respeito?

*Publicado em 15/1/2014

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