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Teruo Nakamura: o soldado que não abandonou seu posto por 30 anos

A Segunda Guerra Mundial foi um conflito armado de grandes proporções que trouxe reflexos na vida de muitas pessoas por gerações. Entretanto, poucos viveram tanto essa disputa quanto Teruo Nakamura, o soldado japonês que foi considerado o último reduto da guerra no mundo por anos e anos.

Na década de 1970, a luta entre Eixo e Aliados já havia terminado há quase três décadas e os soldados retornaram as suas famílias e recomeçaram suas vidas. Todos exceto Nakamura, um soldado japonês descoberto morando sozinho em uma pequena cabana na ilha de Morotai, na Indonésia, em 1974. Entenda o caso!

Última batalha

(Fonte: Internet/Reprodução)(Fonte: Internet/Reprodução)

Em 1944, Nakamura havia participado de uma sangrenta batalha em Morotai e acabou sendo dado como morto pelas autoridades japonesas — apesar de ter permanecido escondido nas profundezas de uma floresta local com outros soldados. Sem receber resgate ou informação de outras frentes de batalha, o grupo permaneceu no local pronto para combater qualquer inimigo.

Nascido em 8 de outubro de 1919 em Taiwan, ele era membro da tribo Amis, um grupo indígena da região, e foi criado na pobreza nas montanhas da ilha. Nakamura havia se alistado para o Exército Imperial Japonês em 1943 e precisou viajar para a Ilha Morotai no ano seguinte para defendê-la de australianos e norte-americanos — a chamada "Batalha de Morotai". 

Nos meses seguintes, muitos dos membros restantes do exército japonês foram capturados, se renderam, ou morreram de doença e fome. Porém, ele nunca se rendeu e permaneceu unido de seu grupo mesmo que não tivessem forma de se comunicar com o mundo exterior. Justamente por isso, foi julgado como morto e nunca recebeu a notícia de que a Segunda Guerra havia acabado.

Sobrevivência e choque de realidade

(Fonte: Wikimedia Commons)(Fonte: Wikimedia Commons)

Foram necessários 30 anos para que a família de Teruo Nakamura soubesse que sua morte havia sido uma mentira. Por 12 anos, ele dividiu espaço com os outros soldados japoneses na ilha, sobrevivendo de culturas de batata-doce, bananas e da pesca local. Quando panfletos foram lançados sobre a ilha em 1945 declarando que o Japão havia se rendido e que a guerra havia acabado, Nakamura e seus companheiros os descartaram como propaganda inimiga. 

Eles acreditavam que forças rivais estavam tentando encontrar qualquer resquício das tropas japonesas e que tudo era um plano para tirá-los de seu esconderijo. Em 1956, ele decidiu abandonar o grupo e partiu sozinho em sua jornada. Alguns contam que os outros soldados teriam tentado atacar Nakamura e, por isso, ele decidiu construir uma cabana própria.

Ele contava os dias pelos ciclos da lua e acompanhava os meses e anos amarrando nós em uma corda. Após um tempo, o soldado fez amizade com um local chamado Baicoli, que lhe deu abrigo, comida e, mesmo após sua morte, escreveu um testamento para que seus filhos continuassem cuidando de Nakamura.

Resgate final

(Fonte: Internet/Reprodução)(Fonte: Bettmann/Getty Images/Reprodução)

Em novembro de 1974, o governo indonésio foi informado de que pode haver um reduto do exército japonês morando na ilha de Morotai, e trabalharam então com a embaixada japonesa para organizar uma missão de busca. A missão envolveu andar pela região com uma bandeira japonesa e cantar o hino nacional para atrair os soldados.

Foi assim que, aos 55 anos, Nakamura decidiu sair de sua toca e foi ao encontro dos socorristas. O homem estava nu e extremamente cansado, mas sua saúde estava intacta. Nakamura foi levado para um hospital em Jacarta, onde recebeu um atestado de saúde e foi enviado para reencontrar sua família em Taiwan.

Ao chegar em casa, recebeu a notícia de que seus pais haviam morrido, seu filho — que era uma criança quando ele partiu — se alistou para o exército e agora tinha quatro filhos. Sua esposa, acreditando que ele estava morto, casou-se novamente. No dia 15 de junho de 1979, o soldado perdeu sua última batalha e acabou sendo vítima de um câncer de pulmão.

Bettmann
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