Você sabia que seus olhos podem mostrar muito sobre a sua personalidade?
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Você sabia que seus olhos podem mostrar muito sobre a sua personalidade?

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Ao contrário do que muitos pensam, existem diversas formas de comunicação além da verbal. A capacidade de analisar sinais corporais ou olhares é natural, mas nem sempre conseguimos fazer isso de modo consciente. Por exemplo, um vendedor que consegue perceber as reais intenções do comprador através de seu comportamento tem muito mais chances de conseguir realizar uma venda, ou acrescentar alguns itens e aumentar sua comissão.

Como isso pode ser uma grande vantagem, existem diversos cursos e livros tentando ensinar essas técnicas, as quais algumas pessoas parecem dominar sem esforço. Determinar a personalidade de alguém de forma rápida é algo mais complicado, mas mesmo assim há quem se aventure. Signo do zodíaco, análise de caligrafia ou a fruta preferida — não existem limites para essas associações.

Os métodos variam, mas, considerando uma abordagem científica, existem cinco características principais que podem ser examinadas em um indivíduo. São elas: instabilidade emocional, extroversão, empatia, abertura a experiências e responsabilidade.

Inteligência artifical em análise de características

Através de um sistema computacional que analisa o movimento dos olhos, o cientista Tobias Loetscher, da Universidade da Austrália Meridional, examinou quatro dessas características (a exceção foi abertura a experiências). Além disso, eles conseguiram uma adicional que chamaram de "curiosidade de percepção", ou seja, a tendência de questionar os estímulos sensoriais.

Esse aspecto humano já foi testado em vários estudos, nos quais foi comprovado que realmente demonstramos muita coisa através dele. Podemos ver isso na prática; por exemplo, quando você cruza com uma pessoa que possui um olhar fixo e profundo, já imagina que ela é, pelo menos um pouco, neurótica. Um desses estudos, realizado anteriormente, mostrou que os otimistas passam menos tempo olhando para imagens médicas nojentas do que os pessimistas, e outro concluiu que aqueles com alto grau de aceitação do novo ficam mais tempo entretidos com os cenários em animações abstratas.

Na pesquisa de Tobias, publicada no periódico Frontiers in Human Neuroscience, ele e sua equipe procuraram associar invidualidades com os movimentos dos olhos, ao contrário de investigações anteriores, que só postulavam sobre determinadas particularidades e movimentos específicos. Isso é algo inovador na interação entre nós e os robôs, pois, com o conhecimento prévio da nossa personalidade, a máquina poderia adequar o tratamento para que a experiência se torne mais agradável e natural.

Análise dos participantes

Para o estudo, foram selecionados 42 estudantes, que preencheram um questionário sobre os detalhes de sua personalidade, baseado nas cinco características principais. Após isso, eles receberam óculos com diversos sensores, que registravam o movimento dos olhos, a direção, a dilatação das pupilas e, também pequenos trejeitos em interações sociais. Vestidos com o aparelho, eles foram levados a um cenário, onde precisavam interagir e simular atividades cotidianas, conforme a orientação dos pesquisadores.

Os dados obtidos foram transferidos para um algoritmo de aprendizado de máquina, que conseguiu associar algumas particularidades a comportamentos. De forma geral, quem piscava mais disse ter mais problemas de instabilidade emocional; a responsabilidade parecia estar ligada à velocidade com que os participantes moviam os olhos enquanto mantinham contato visual com alguém. A empatia foi relacionada a quanto a pessoa direcionou o olhar para o lado inferior direito do seu campo de visão, enquanto a extroversão foi identificada pelo tamanho da pupila e pelo número de pequenos desvios, quando encarando outro.

Por mais que esses padrões tenham sido apontados, as predições artificiais ainda são bem rasas. Tobias diz que esse é um estudo pequeno, e que soluções utilizando o equipamento precisam de um grande volume de dados para que funcionem de forma satisfatória. Ele e sua equipe esperam que os resultados ainda sejam aprimorados. Todo o processo deve ser tratado com muito cuidado, pois, se a análise de informações do Facebook de algumas pessoas causou tantos problemas, imagine um banco de dados que possua as principais características de personalidade da população de um país inteiro. No mínimo, assustador.

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