Romi-Isetta: o mini-carro brasileiro que veio muito antes do Smart

Romi-Isetta: o mini-carro brasileiro que veio muito antes do Smart

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Você sabia que o primeiro automóvel fabricado no Brasil foi um mini-carro com proposta urbana, no estilo dos Smart que fazem sucesso na Europa? Sim! O Romi-Isetta começou a ser produzido em Santa Bárbara d'Oeste (SP), em 1956.

Na verdade, o posto de "primeiro veículo fabricado no Brasil" é um pouco disputado: o Romi-Isetta começou a ser produzido antes, mas ele não é considerado um carro de verdade por muita gente. 

Isso porque o ele tem apenas uma porta, e tem quem acredite que um carro precisa ter duas. Nesse caso, o modelo DKW Universal seria o detentor do título. De qualquer maneira, o Romi-Isetta merece destaque por ser um carrinho extremamente inovador para sua época.

Carrinho em miniatura

Sim, o Romi-Isetta só tem uma porta. E ela fica na frente do carro: o capô inteiro se move, junto com o volante, para que o motorista e o passageiro possam entrar. E além disso, é extremamente pequeno, com apenas 2,27 metros de comprimento. Para efeito de comparação, um Renault Kwid 2020 tem 3,68 e até um Smart tem 2,7 metros. 

Suas rodinhas são aro 10 (nenhum carro brasileiro atual tem menos do que 14) e o motor tem apenas 298 cilindradas — ou seja, é um terço de um 1.0 — com 13 cavalos de potência. Parece bem pouco (e talvez seja...), mas é o suficiente para movimentar os 360 kg da lataria a uma velocidade máxima de 95 km/h. Nada mal para andar na cidade, né?

Outra característica que ajudaria muito andar na cidade é seu consumo, de 25 km/l. Em tempos de gasolina tão cara, muita gente ia querer um desse... Além disso, é muito fácil estacionar e fazer qualquer manobra, com os vidros ao redor de todo o carrinho — o que ajuda a não se sentir apertado dentro de um local tão pequeno, aliás. 

Romi-Isetta não foi sucesso de vendas, mas ganhou uma legião de fãs (Fonte: UOL/Reprodução)Romi-Isetta não foi sucesso de vendas, mas ganhou uma legião de fãs (Fonte: UOL/Reprodução)

Um Isetta com placa preta, comprovando que esse carrinho é um clássico! (Fonte: Wikimedia Commons/Reprodução)Um Isetta com placa preta, comprovando que esse carrinho é um clássico! (Fonte: Wikimedia Commons/Reprodução)

O pequeno Isetta em sua versão BMW (Fonte: Wikimedia Commons/Reprodução)O pequeno Isetta em sua versão BMW (Fonte: Wikimedia Commons/Reprodução)

O pequeno Isetta em sua versão BMW (Fonte: Wikimedia Commons/Reprodução)O pequeno Isetta em sua versão BMW (Fonte: Wikimedia Commons/Reprodução)

Sim! A porta do Isetta abria para frente. E, na Europa, foram fabricadas versões para quatro pessoas. (Fonte: Wikimedia Commons/Reprodução)Sim! A porta do Isetta abria para frente. E, na Europa, foram fabricadas versões para quatro pessoas. (Fonte: Wikimedia Commons/Reprodução)

Inovador até demais

Com seu tamanho diminuto, sua única porta frontal e seu visual super simpático, o Romi-Isetta era um carro muito a frente de seu tempo. Mas, talvez, tanta inovação tenha sido o motivo para seu fracasso comercial: ele foi fabricado somente até 1961 e vendeu apenas 3 mil unidades. De acordo com uma reportagem da revista Quatro Rodas sobre o modelo, ninguém o levava a sério. 

Ele era pequeno demais e as ruas do Brasil ainda eram bem espaçosas naqueles tempos. A publicidade da Romi até tentou vendê-lo como um segundo veículo para famílias ou uma opção para mulheres e estudantes, mas isso não era uma necessidade que muitas pessoas tinham, na época. Além disso, ele custava 60% do valor de um Fusca, então era mais fácil comprar o modelo maior, de uma vez. 

Em outros lugares do mundo, o carrinho fez mais sucesso: na verdade, o projeto era italiano e a indústria Romi fabricava o modelo no Brasil sob licença. A BMW fabricou sua versão do Isetta na Alemanha e vendeu mais de 160 mil unidades. Mas mesmo não indo tão bem nas vendas, a versão brasileira conquistou uma legião de fãs, que mantem os carrinhos bem conservados até hoje, mais de meio século depois. E a gente aposta que, se você vir um desses na rua, ele vai chamar sua atenção. 

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