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Calvin Graham enganou a todos na Segunda Guerra Mundial

Em 7 de dezembro de 1941, quando o Pearl Harbor foi bombardeado pelos japoneses, indicando a entrada dos Estados Unidos para a Segunda Guerra Mundial, o patriotismo de milhares de homens civis foi cutucado com força total, portanto muitos deles decidiram se alistar no Exército para lutar em prol de seu país.

Tornou-se ainda mais comum jovens abaixo dos 16 anos sem autorização dos pais tentando ser recrutado pelas forças armadas. No entanto, o processo era muito rígido e criterioso com relação a não permitir que esses garotos fossem admitidos, por mais que fosse valorizado seus esforços em querer defender a sua pátria.

O grande mentiroso

(Fonte: Pearl Harbor/Reprodução)(Fonte: Pearl Harbor/Reprodução)

Nascido em 3 de abril de 1930, em Canton, no Texas, Calvin Leon Graham decidiu que entraria para a Marinha quando ainda estava no ensino fundamental, logo depois que seu pai morreu e sua mãe se casou novamente. Para quem visse de fora, poderia não passar de mais um caso de uma criança que enxergava os soldados como heróis e desejava se tornar um deles, mas para Graham era muito mais do que isso.

Ele morava em uma casa com mais sete irmãos e um padrasto extremamente abusivo que ele odiava,  e foi por isso que decidiu se mudar com seu irmão mais velho para uma pensão barata no auge de seus 10 anos. Graham passou a vender jornais e entregar correspondências depois da escola e nos fins de semana para conseguir se sustentar. Sua mãe o visitava ocasionalmente, na maioria das vezes apenas para assinar seus boletins escolares, portanto ele não tinha nada que o prendesse àquela vida quando tomou a decisão de que se alistaria para a Marinha dos Estados Unidos.

(Fonte: Today in History/Reprodução)(Fonte: Today in History/Reprodução)

Para conseguir se passar por alguém mais velho, Graham começou a praticar um tom de voz mais grave todos os dias. Ele ensaiou o jeito de andar, emulou os pensamentos, gírias e comportamento adulto de seu irmão mais velho, além de malhar todos os dias sozinho para construir um porte mais atlético.

No verão de 15 de agosto de 1942, aos 12 anos, o jovem falsificou a assinatura de sua mãe e foi até o escritório de recrutamento com dois amigos de 14 e 15 anos. Naquela época, seu maior medo era que fosse barrado no teste dentário, por isso denunciou que os seus amigos eram menores de idade, o que serviu de distração para o seu caso. No entanto, ele sempre acreditou que o dentista sabia que ele também não tinha a idade adequada.

Fugindo

(Fonte: UTAH Libraries/Reprodução)(Fonte: UTAH Libraries/Reprodução)

Sob o pretexto de que visitaria alguns parentes, Graham largou a escola e partiu para San Diego, onde recebeu todo o treinamento naval que sempre sonhou. Muitos militares suspeitavam de sua idade porque o obrigavam a fazer tarefas que os recrutas mais velhos não precisavam, como carregar pacotes muito mais pesados do que os demais.

Apesar disso, o jovem aguentou firme por 1 mês, até ser designado ao SS Dakota do Sul, um navio de guerra que servia no Havaí. A embarcação foi bombardeada por 42 torpedos japoneses, matando 38 tripulantes e ferindo 60 deles, incluindo Graham, que teve a mandíbula dilacerada e foi lançado de 3 andares do navio.

Mesmo muito ferido, ele conseguiu ajudar os demais membros fazendo torniquetes, dando de beber e comer e os colocando em locais seguros, a todo o momento encorajando-os a seguir em frente. O navio conseguiu voltar ao estaleiro da Marinha no Brooklyn, onde Graham foi condecorado com duas medalhas.

(Fonte: Texas History/Reprodução)(Fonte: Texas History/Reprodução)

Com a repercussão do caso, Graham foi parar na televisão e acabou sendo reconhecido por sua mãe, que entrou em contato com a Marinha e o desmascarou. O garoto teve suas medalhas e honrarias confiscadas e ficou preso antes de ser deportado de volta à Canton.

Ele foi recebido como um herói na cidade, transformando-se em uma celebridade. Graham casou-se muito cedo, aos 14 anos, sendo que 1 ano depois já era pai, e 2 anos após estava divorciado.

O resto de sua vida foi marcada por vender assinaturas de revistas, e ele chegou a escrever ao presidente Jimmy Carter sobre sua experiência na Segunda Guerra Mundial, a fim de reaver seus títulos. Dois anos depois, ele teve seu desejo ouvido, recebendo a sua Estrela de Bronze de volta.

Calvin Graham faleceu em 6 de novembro de 1992, e a família dele recebeu só 2 anos depois a sua medalha de Coração Púrpura.

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