O atentado às Olimpíadas de Atlanta e a caçada a Eric Rudolph

As Olimpíadas, supostamente, são uma festa para celebrar a união entre os países e a superação de limites no esporte. Porém, com o mundo concentrado em uma só cidade, os Jogos Olímpicos podem ser palco para ações desastrosas. Algumas delas resultaram em mortes, como o ataque terrorista de radicais palestinos em Munique (1972) e a explosão no Parque Centenário de Atlanta (1996). 

A edição de 1996 celebrava os 100 anos do início dos Jogos Olímpicos da Era Moderna, e a cidade de Atlanta (na Geórgia, sul dos Estados Unidos) construiu um belo parque para as pessoas se reunirem, assistirem às transmissões e a shows de música. Milhares de pessoas passavam pelo Parque Centenário todos os dias até que em 27 de julho de 1996 — 8 dias após o início dos jogos — uma bomba explodiu lá. 

A bomba explode

Pouco depois da meia-noite do dia 27, o Departamento Federal de Investigação dos EUA (FBI) recebeu uma ligação denunciando que uma bomba tinha sido colocada próximo à torre de som do Parque Olímpico Centenário "por um homem branco com um sotaque americano indistinguível". 

A polícia começou a procurar a bomba, discretamente, para não alarmar o público — afinal, poderia ser um trote, e o pânico poderia causar um estrago maior do que a bomba em si. Pouco antes da 1h20, o segurança Richard Jewell localizou o artefato e direcionou o público para longe do parque. 

Mesmo que o ato de Jewell tenha salvado muitas vidas, a bomba explodiu cerca de 2 ou 3 minutos após ser vista — sem que todos conseguissem sair. Ela estava cheia de pregos para machucar quem fosse atingido, deixando 111 feridos e causando a morte de 1 mulher: Alice Hawthorne, de 44 anos. Um jornalista turco, Melih Uzunyol, teve um ataque cardíaco e também morreu como consequência do ataque.

O local da bomba, junto da torre de som (Imagem: Wikimedia Commons)O local da bomba, junto da torre de som. (Fonte: Wikimedia Commons/Reprodução)

De herói a suspeito

Um vídeo amador gravou o momento da explosão, mas não tinha como identificar quem plantou a bomba no local. Por mais que, nos primeiros dias, Jewell tenha sido considerado um herói por evitar mortes, logo ele entrou na lista de suspeitos. 

O FBI o investigou porque, sem outras provas, fazia sentido acreditar que aquela bomba caseira era obra de um "lobo solitário". Além disso, um antigo chefe de Jewell entrou em contato com o FBI para descrevê-lo como um "fanático", que "escrevia relatórios épicos para infrações sem importância". Para completar, dizia-se que a voz na ligação que deu o alerta parecia com a voz de Jewell. 

A partir daí, a mídia começou a retratá-lo como um maluco fracassado, que armou todo o cenário para sair como herói, já que não conseguia se destacar de outra forma. Jewell virou chacota em programas de humor, e sua casa foi cercada por jornalistas.

O segurança Richard Jewell foi acusado injustamente (Imagem: NY Times/Reprodução)O segurança Richard Jewell foi acusado injustamente. (Fonte: NY Times/Reprodução)

As peças se encaixam

Contudo, alguns meses depois, ficou claro que Jewell não era o culpado, e o FBI admitiu que não tinha mais suspeitos. Apenas quando outras explosões aconteceram nos Estados Unidos em 1997, com o mesmo tipo de bomba caseira, a investigação voltou a andar. Os novos alvos eram clínicas de aborto e boates para o público LGBT. 

Uma bomba explodiu em uma clínica de aborto em Birmingham, Alabama, matando um policial e ferindo a enfermeira Emily Lyons — que conseguiu dar pistas para o FBI, como uma parte da placa do carro do suspeito. Foi aí que Eric Rudolph foi identificado.

Em resumo, Rudolph era um cristão fundamentalista que, na juventude, frequentou uma igreja que acreditava em visões muito restritas do velho testamento: apenas cristãos brancos eram os verdadeiros descendentes de Abraão e gays e pessoas que faziam aborto deveriam morrer. Ele também acreditava em teorias da conspiração: após perder o pai para um câncer nos anos 1980, Eric achava que "pílulas milagrosas" proibidas pelo governo poderiam ter salvado a vida dele. 

O verdadeiro culpado, Eric Rudolph (Imagem: History Channel/Reprodução)O verdadeiro culpado, Eric Rudolph. (Fonte: History Channel/Reprodução)

Rudolph fugiu, sobrevivendo nas florestas da Carolina do Norte com a ajuda de familiares, amigos da família e outros fundamentalistas até que foi encontrado, em 2003, por um policial iniciante. Em seu manifesto, ele explicou que seu objetivo era causar o cancelamento das Olimpíadas ou, pelo menos, esvaziá-las e causar prejuízo para o governo e para as empresas que tinham investido no evento. 

Segundo ele, o evento era uma "celebração do socialismo global", feita por um governo que apoiava o aborto. Por isso, ele escolheu o Parque Olímpico Centenário como alvo. 

Após ser capturado, Rudolph fez um acordo com a justiça, recebendo uma pena de quatro prisões perpétuas sem possibilidade de condicional para não ter a pena capital. A segunda temporada da série Manhunt é baseada nessa história, assim como o filme O Caso de Richard Jewell (que processou quem o acusou injustamente). 

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