Atletas de países tropicais podem competir nas Olimpíadas de Inverno?

Infelizmente, as Olimpíadas de Tóquio chegaram ao fim no início de agosto — o que é um problema para quem curtiu muito assistir a todos os tipos de esportes diferentes na madrugada, nessas últimas semanas. Por sorte, nós ainda temos as Paralimpíadas no final do mês e mais uma edição dos Jogos Olímpicos já no ano que vem: são as Olimpíadas de Inverno, em Beijing. 

Inclusive, quando duas suíças eliminaram a nossa dupla Rebecca e Ana Patrícia, no vôlei de praia, muitas pessoas comentaram ironicamente que o Brasil iria se vingar ganhando do país europeu no bobsled ou no snowboarding. Isso levanta a questão: o Brasil participa dos Jogos Olímpicos de Inverno? Se sim, como um país tropical consegue participar?

Do calor tropical à neve

O time jamaicano de bobsled nos Jogos de Calgary de 1988 é o caso mais memorável de um país tropical competindo nas Olimpíadas de Inverno. A equipe fez tempos bem longe do pódio, mas virou a sensação daquelas Olimpíadas — tanto que inspirou o filme Jamaica Abaixo de Zero, clássico da Sessão da Tarde nos anos 1990. 

Algumas décadas antes deles, o México já havia enviado uma equipe, também do bobsled, para a edição de St. Moritz 1928; porém, foi a partir dos anos 1980 que os países mais quentes resolveram se aventurar nos esportes de neve. Isso inclui o Brasil.

A primeira participação do Brasil nas Olimpíadas de Inverno foi em Albertville 1992, com sete atletas do esqui alpino. Desde então, participamos em todas as outras edições, enviando 10 brasileiros para PyeongChang 2018. Nós temos até uma Confederação Brasileira de Desportos na Neve (CBDN) e a Confederação Brasileira de Desportos no Gelo (CBDG), que atuam em conjunto com o Comitê Olímpico Brasileiro.

A medalha ainda não veio, mas nosso melhor resultado foi o nono lugar de Isabel Clark Ribeiro, em Turim 2006. Ah, e o Brasil também tem um time de bobsled: o baiano Edson Bindilatti ficou interessado pelo esporte justamente depois de assistir a Jamaica Abaixo de Zero.

Como treinar no calor?

As suíças até podem praticar vôlei de praia sem praia (nas areias de um rio, talvez?), mas treinar um esporte de gelo no calor brasileiro parece um pouco mais difícil. Mesmo com essa friaca do inverno 2021, neve ainda é algo raro por aqui. 

Mas a verdade é que a situação dos atletas brasileiros de inverno é bem melhor do que a do time jamaicano do filme: existe um núcleo de treinamentos em São Paulo, onde é possível praticar as empurradas do bobsled e fazer a preparação física para as provas, mesmo sem gelo. Há até uma arena de curling em São Paulo — a única da América Latina. Já que a bocha é tão popular no Brasil, o COB deveria investir nesse esporte, não?

Voltando ao assunto: outros atletas, como a patinadora Isadora Williams e o esquiador Michel Macedo moram em outros países e treinam lá mesmo, mas escolheram representar as cores do Brasil. Isadora foi nossa porta-bandeira em PyeongChang, junto de Edson Bindilatti.

Imagem: COB/ReproduçãoImagem: COB/Reprodução

Histórias de superação

Em entrevistas, Edson já afirmou que os brasileiros são muito bem recebidos por todos ao chegarem às Olimpíadas de Inverno — e ele sabe do que está falando, pois já está na 5ª participação, desde Salt Lake City 2002. É bem comum que as histórias de atletas de países tropicais chamem atenção em qualquer edição. 

Uma das histórias mais incríveis é a do queniano Philip Boit, que era corredor e foi chamado para representar seu país no esqui cross-country, uma prova longa. Ele chegou em último, mas recebeu um abraço do medalhista de ouro da prova — que ficou esperando 20 minutos para parabenizar o colega. 

A título de curiosidade, o país mais bem-sucedido não poderia ser outro: a gelada Noruega — acompanhada pelos Estados Unidos (sempre eles) e outros países com neve, como Áustria, Alemanha, Canadá e Suécia. Do Hemisfério Sul, apenas a Austrália teve algum sucesso nas Olimpíadas de Inverno — e a história de seu primeiro ouro é megacuriosa. 

Steven Bradbury chegou à final dos mil metros na patinação em velocidade. Ele estava na última colocação e era lá que iria ficar — só estar nas Olimpíadas de Inverno já é uma vitória para um "atleta tropical", né? Até que, faltando poucos metros para a prova acabar, todos os outros concorrentes caíram e se embolaram. Steven só precisou ficar de pé e passar da linha de chegada para garantir a medalha de ouro. 

É com essa história que a gente se despede por hoje. Abaixo, veja o vídeo da medalha de ouro da Austrália na patinação de velocidade.

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