É verdade que o Brasil roubou o estado do Acre da Bolívia?

Você já ouviu falar na história de que o Brasil teria roubado o estado do Acre?

A ideia teria surgido nos primeiros anos da República, quando começou a demarcação das fronteiras do país e a anexação do Acre se tornou um problema. Na época, vários grupos étnicos viviam na região e pouco importava para eles quais eram os limites do Brasil, Bolívia e Peru. No entanto, para o governo brasileiro, a região era território dos bolivianos.

Os geógrafos e burocratas que nunca puseram os pés na região foram os responsáveis por determinar coordenadas e linhas demarcatórias que deram margem para incompreensões sobre o que foi chamado de “Questão do Acre”.

Para o historiador Gerson Albuquerque, da Universidade Federal do Acre, os tratados que embasaram a demarcação das fronteiras entre Brasil e Bolívia, como o de Ayacucho de 1867, foram assinados às escuras e pautados por coordenadas fantasiosas.

Pelo preço de um cavalo

(Fonte: Quora/Reprodução)(Fonte: Quora/Reprodução)

Os transtornos começaram quando a indústria automobilística cresceu os olhos para o látex acreano para usá-lo como matéria-prima na fabricação de pneus. Os seringueiros do norte e nordeste passaram a invadir a região sem que os vizinhos bolivianos notassem ou reclamassem.

Levou 20 anos para que o Peru e a Bolívia também se interessassem pela borracha. Os bolivianos tentaram arrendar o território para um consórcio de empresas de capital inglês e americano, chegando a instalar uma base militar na região para cobrar impostos sobre a circulação de mercadorias.

(Fonte: VFCO/Reprodução)(Fonte: VFCO/Reprodução)

Segundo o historiador, os barões da borracha se mobilizaram e, uma vez que a Bolívia era pequena e muito mais frágil militarmente que o Brasil, teve que ceder ao Tratado de Petrópolis de 1903 — que incorporou o Acre ao território brasileiro. Esse acordo teria sido estabelecido por “livre e espontânea pressão”, visto as condições da Bolívia na época.

Por isso em 2006, Evo Morales, o então presidente da Bolívia, disse que o país deu o Acre para o Brasil pelo preço de um cavalo, na época 2 milhões de libras.

Para compensar o acordo injusto, o Brasil cedeu terras do Mato Grosso e se comprometeu a construir a estrada de ferro Madeira-Mamoré para transportar produtos bolivianos até o Oceano Atlântico.

No entanto, pouco se sabe sobre todas as tramas realizadas pelo Brasil devido ao sigilo eterno que existe sobre os documentos.

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