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Como as máfias popularizaram as cirurgias plásticas

Em 1934, o mafioso John Dillinger tentou, de todas as formas, evitar ser capturado pelo FBI. Após se esconder por toda Chicago, apelou para a cartada final: fez uma cirurgia plástica para salvar sua liberdade.

Tenham em mente que a década de 1930 foi especialmente próspera para os mafiosos dos EUA. O país passava pela Grande Depressão e, além disso, a Lei Seca estava em vigor. Ou seja, era o terreno perfeito para conquistar território e ganhar dinheiro com contrabandos.

Obviamente que em um mundo movido por roubos a bancos e assassinatos, as impressões digitais colocavam tudo a perder. Por isso, não é nenhuma surpresa que naquela época os cirurgiões plásticos se tornaram muito populares entre a multidão de criminosos.

Os diferentes rostos de John Dillinger ao longo dos anos. (Fonte: Federal Bureau of Investigation - FBI)Os diferentes rostos de John Dillinger ao longo dos anos. (Fonte: Federal Bureau of Investigation - FBI)

Sem rastros

Para um criminoso de carreira, seu conjunto único de impressões digitais é o seu pior inimigo. Os mais cuidadosos podem limpar as superfícies após participarem de um ato criminoso, mas é muito fácil deixar impressões digitais para trás, afinal, elas estão nas pontas dos dedos.

Além de servirem como prova, as digitais de uma pessoa são essenciais para o processo de identificação de um indivíduo quando ele é preso ou autuado. Em outras palavras, torna-se bem mais fácil ocultar a identidade sem digitais.

(Fonte: Shutterstock)(Fonte: Shutterstock)

A mutilação de impressões é tão antiga quanto a própria prática de verificação de pessoas por meio delas. A primeira vez que elas foram usadas com a finalidade de identificação foi em 1858, pelos britânicos em sua administração na Índia. Porém, o método só foi incorporado pelas polícias internacionais cerca de 30 anos depois.

Ao longo da história, criminosos já tentaram de um tudo para apagar suas impressões. Os métodos mais comuns incluem lixar os dedos, queimar suas pontas com ácido ou cigarro, ou simplesmente cortar a pele.

Um dos primeiros criminosos a tentar a mutilação de digitais foi August “Gus” Winkeler, um assassino e ladrão de bancos com íntima ligação ao mafioso Al Capone. Embora tenha sido preso em 1933 por meio da identificação de suas impressões digitais, ele conseguiu fazer mudanças significativas. Um de seus dedos foi tão cortado que a digital tinha o formato de um laço, ao invés de uma espiral.

Processo complicado

Antes e depois de John Dillinger. (Fonte: The St. Louis Star and Times/Reprodução)Antes e depois de John Dillinger. (Fonte: The St. Louis Star and Times/Reprodução)

Pode parecer algo simples acabar com as digitais, mas não é. E, naquelas primeiras décadas de uso desse método de identificação, os mafiosos dos EUA perceberam isso rapidamente. Sendo assim, resolveram procurar por profissionais cirurgiões para garantir que o serviço fosse bem feito.

Porém, não era nada prático para o criminoso, visto que a cicatrização da cirurgia podia levar meses devido ao uso frequente das pontas dos dedos. No entanto, para muitos mafiosos, a cirurgia plástica envolveu muito mais do que suas mãos: John Dillinger contratou um cirurgião para queimar suas digitais, remover covinhas do rosto e modificar seu nariz. Isto é, passou por uma reconstrução facial profunda.

Recorrer a mudanças estéticas ainda é algo comum entre os criminosos nos dias atuais. Terroristas e traficantes sul-americanos são assíduos frequentadores do submundo das plásticas. Outro grupo que tem recorrido a remoção das impressões digitais são os imigrantes ilegais que tentam evitar a deportação para seus países de origem.

Embora os esforços sejam extremos evitar a captura, mesmo apagar as digitais ou modificar drasticamente a aparência não é o suficiente para evitar as prisões. O próprio Dillinger, em 1934, foi encontrado e morto pelo FBI na cidade de Chicago.

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