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Os presentes milionários distribuídos para os indicados ao Oscar

Ser indicado ao Oscar pode ser uma boa notícia em vários sentidos. Certamente, estar entre esta seleta lista coloca o nome de um artista nos holofotes para ser cotado a próximos trabalhos. Mas, além disso, os indicados levam para casa presentes milionários de empresas que querem estar próximas das estrelas.

A revista Forbes estimou que as “sacolinhas do Oscar” (nome que costuma ser dado pela imprensa para o pacote de presentes que as celebridades recebem) chegaram a atingir um valor de US$ 205 mil por pessoa – pouco mais de R$ 1 milhão. Dentre os brindes, já estiveram sessões de treino com personal trainers famosos, lipoaspirações, estadias em uma ilha sueca e cartões de ouro.

Por que as marcas fazem isso? A razão é simples: para ter uma chance de ter seu nome associado a celebridades de alto nível. E, curiosamente, a Academia de Artes e Ciências Cinematográficas (organização que concede o Oscar) nem está envolvida nesta parte dos brindes.

A tradição dos presentes do Oscar

Frazer Harrison/Getty ImagesSacola oferecida aos indicados ao Oscar em 2004. (Fonte: Frazer Harrison/Getty Images)

Tudo começou em 1989, quando foi noticiado que a Academia de Artes e Ciências Cinematográficas estava dando discretamente alguns brindes aos artistas que participavam do Oscar. Esta prática continuou sendo praticada por anos, e os presentes foram cada vez mais aumentando de valor.

As empresas, então, logo começaram a se dar conta que havia ali uma grande oportunidade de marketing. Muitas celebridades, inclusive, tornavam-se posteriormente clientes das marcas. Em 2003, na edição de número 75 da premiação, a ABC publicou que os brindes de cada famoso chegaram a contabilizar US$ 20 mil.

Em seguida, a prática das “sacolas” começaram a se profissionalizar, com a Academia transferindo a responsabilidade da organização dos brindes para uma empresa de eventos chamada Sequoia Productions. A expectativa da imprensa para noticiar quais seriam os presentes daquele ano começou a se tornar uma grande expectativa a cada ano, e os doadores dos brindes não podiam revelar sua participação na sacola antes do dia combinado.

As críticas à prática

Ainda assim, não eram todas as celebridades que aprovavam a prática. O ator Edward Norton, por exemplo, declarou em uma entrevista que achava a ação dos brindes “nojenta e vergonhosa”. Em 2006, uma instituição que abriu o olho foi a Receita Federal, uma vez que o recebimento de presentes no valor de US$ 100 mil não tributados poderia, em alguma medida, configurar sonegação de impostos.

Para resolver a pendência com a Receita, a Academia concordou em pagar os impostos atrasados pelos presentes concedidos nos anos anteriores. E, a partir daí, os contemplados dos presentes começaram a ser informados que deveriam pagar pela tributação daquilo que recebessem, uma vez que a sacola configurava como remuneração não monetária.

Por fim, a Academia decidiu por suspender a prática, no intuito de evitar mais problemas e polêmicas.

Depois das polêmicas, as sacolas continuam

Black Diamond Media(Fonte: Black Diamond Media/Reprodução)

Contudo, isso não quis dizer que os brindes pararam de existir. O que acontece é que a prática continuou sendo seguida por empresas particulares, que topavam arcar com os tributos dos presentes.

Uma empresa chamada Distinctive Assets, criada em 1999 por um sujeito chamado Lash Fary, resolveu adentrar nesse nicho de mercado. Ela passou a fazer negociações com outras empresas para concretizar esta intermediação entre as marcas e as celebridades.

A reputação de Fary foi aumentando, a ponto de ele ser apelidado na mídia de “Sultan of Swag” (algo como “sultão das sacolas”). O empresário contou que a ideia do seu negócio surgiu de ninguém menos que Bette Midler, que uma vez lhe enviou uma nota agradecendo pelos presentes que recebeu dele depois de ter perdido um prêmio. Surgia então a sacola “Todo Mundo Ganha”, uma grande sacada da Distinctive Assets. Ela passou a ser distribuída a partir de 2003 a todos os indicados, independente de eles vencerem o Oscar.

Ocorre que tudo isso incomodou a Academia, que resolveu processar Lash Fary pela prática, argumentando que sua empresa estava prejudicando a reputação do Oscar e violando os direitos da marca.

O resultado é que a Distinctive Assets fez um acordo com a Academia e passou a incluir avisos de isenção de responsabilidade do Oscar com os conteúdos das bolsas. Assim, as sacolas conseguiram continuar existindo.

Só para se ter uma ideia do nível dos presentes, nos últimos anos, as sacolas Todo Mundo Ganha distribuíram cruzeiros de luxo, férias de luxo para o Havaí, chocolates com infusão de cannabis, vibradores, viagem para Israel, terrenos na Escócia, tour personalizado no Japão, entre muitas outras coisas. É muito luxo.

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