Jornada do Herói: o modelo narrativo por trás de grandes personagens
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Jornada do Herói: o modelo narrativo por trás de grandes personagens

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Criar uma história pode parecer tarefa difícil e, de fato, é. Escritores e roteiristas, quando dão início a uma nova narrativa, precisam escolher bem seus personagens e, obviamente, as particularidades de cada um.

Uma coisa interessante e que pode nortear a criação das mais diferentes narrativas é um esquema de comunicação conhecido como “Jornada do Herói”, que nada mais é do que uma espécie de roteiro antecipado de narrativa, com destaque, obviamente, na construção do herói da história.

Falar da Jornada do Herói implica em citar a obra “O Poder do Mito”, de Joseph Campbell, um dos maiores teóricos sobre o assunto. Nessa obra, a construção do herói recebe destaque, e em obras posteriores, como “Jornada do Herói”, da jornalista Monica Martinez, podemos reavaliar não apenas o papel do herói, mas a sua importância em grandes narrativas e também em textos jornalísticos, principalmente dentro do segmento que é conhecido como Jornalismo Literário.

Conhecer esse programa de narrativa é importante para leitores, escritores e, inclusive, pessoas que apenas buscam aprimorar suas habilidades de redação e interpretação.

Logicamente, você só vai entender a base da jornada do herói quando souber como ela funciona e, antes de mais nada, começamos com uma informação: personagens como Frodo, de “O Senhor dos Anéis”, Harry Potter, e Katniss, de “Jogos Vorazes” são exemplos perfeitos do que estamos querendo explicar aqui.

Os três passam por um momento de prova, no qual precisam mostrar que têm coragem e que estão dispostos a vencer os próprios medos em nome de uma comunidade. Além do mais, esses personagens experimentam, além da provação, a superação, a recompensa e a vitória.

Parece simples e até meio óbvio, não é mesmo? O que você não sabe é que tudo isso é dividido em 12 passos, separados em três atos distintos. Ficou curioso? Então confira a divisão a seguir, com a saga de Harry Potter como exemplo:

Ato 1

Passo 1 – Mundo Comum: Aqui, a rotina do herói é apresentada. É a introdução usual da história. Harry Potter é apresentado como só mais um garoto comum, que mora em um porão embaixo da escada e é criado por seus tios malucos.

Passo 2 – Chamado à aventura: Algum evento inesperado e fora do comum acontece e quebra a rotina do herói. Corujas começam entregar cartas para Harry, tentando fazer com que o garoto vá estudar em Hogwarts.

Passo 3 – Recusa ao chamado: Nesse momento, o herói ou é impedido de se envolver ou escolhe não ouvir o chamado à aventura, preferindo manter sua vida pacata. Aqui quem recusa o chamado por Harry é o tio dele, que o proíbe de ir para a escola de bruxos.

Passo 4 – Encontro com o mentor: Já que houve a recusa ao chamado, surge um mentor ou uma situação que obriga o herói a tomar uma decisão. No caso de Harry Potter, é quando o personagem recebe a visita de Hagrid, que acaba escoltando Harry até Hogwarts.

Ato 2

Passo 5 – Cruzamento do limiar: É o momento em que o herói decide entrar em um mundo novo. Decisão essa que pode ser tomada mesmo contra a vontade do herói. É quando Harry atravessa a parede do bar e chega ao universo dos bruxos pelo beco diagonal.

Passo 6 – Testes, aliados e inimigos: Esse é o ponto mais longo da narrativa, onde a trama se desenvolve e o herói será testado, receberá ajuda e enfrentará seus inimigos. No caso de Harry Potter, são os primeiros dias do bruxinho na nova escola, conhecendo pessoas, professores, fazendo inimigos e descobrindo a pedra filosofal.

Passo 7 – Aproximação do objetivo: O herói chega perto de concluir sua missão, mas a tensão fica maior e há suspense a respeito da conclusão. Harry atravessa a sala das chaves com seus amigos e eles vencem o Xadrez de Bruxo. Depois, Harry encontra Quirrel e Voldermort.

Passo 8 – Provação máxima: Aqui se dá o auge da crise. É quando Harry usa a magia que recebeu de sua mãe ao enfrentar o professor Quirrell.

Passo 9 – Conquista da recompensa: O nome já diz tudo. Depois da maior provação da jornada do herói, o personagem conquista sua recompensa. É quando Harry acha a pedra filosofal e vence Quirrell. Nesse ponto, Voldemort está enfraquecido e se vê obrigado a se esconder.

Ato 3

Passo 10 – Caminho de volta: Essa parte é geralmente a mais breve da narrativa e, em alguns casos, nem mesmo existe. É quando o herói volta ao seu mundo de origem depois de ter alcançado seu objetivo. Harry Potter fica em Hogwarts até se recuperar e depois voltar para o universo dos trouxas.

Passo 11 – Depuração/Ressurreição: Neste ponto o herói pode se deparar com um novo dilema, algo que não foi bem resolvido anteriormente. É uma espécie de trama secundária, que resgata o suspense da narrativa. No caso de Harry, é quando ele e seus amigos vencem a disputa entre as casas, somando pontos à Grifinória.

Passo 12 – O retorno transformado: É o fechamento da narrativa, o momento no qual o herói retorna para casa, transformado pelas experiências que viveu e deixa claro que não é mais a mesma pessoa. Harry finalmente retorna ao mundo dos trouxas e se despede dos alunos da escola. Fica evidente que a relação do bruxo adolescente com seus tios foi mudada para sempre.

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E aí, você já conhecia esse modelo narrativo? Além de Harry Potter, Frodo e Katniss, há muitos outros personagens que mostram claramente a prática da jornada do herói. Você se lembra de mais algum? Conte para a gente nos comentários!

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