Como você sabe, nós do Mega Curioso somos fãs de uma boa história de mistério e já publicamos por aqui inúmeras matérias envolvendo supostos eventos sobrenaturais. Pois hoje vamos contar para você sobre um intrigante caso que aconteceu na Espanha no início da década de 70 e que ficou conhecido como as “Faces de Bélmez”.

Borrão sinistro

Tudo começou em agosto de 1971, quando María Gómez Cámara, residente da cidadezinha de Bélmez de la Moraleda, situada na província de Jaén, notou algo estranho no piso da cozinha de sua casa. A mulher percebeu que havia uma mancha se formando no chão, mas, em um primeiro momento, não teria dado muita bola para a coisa toda. Afinal, quem nunca derrubou molhos e outras coisas enquanto cozinhava e teve dificuldades para se livrar dos vestígios depois?!

Casa de María

É claro que María tentou limpar a mancha do piso, mas, com o passar dos dias, ela se deu conta de que, em vez de desaparecer, o borrão estava se tornando cada vez maior. E mais: além de estar aumentando de tamanho, a marca estava tomando a forma do que parecia ser um rosto humano.

Assustada, María teria aplicado todo tipo de produto de limpeza sobre a mancha e, ao ver que ela não sumia, a mulher mostrou a estranha imagem para o marido e o filho, e o trio decidiu arrancar o piso e aplicar uma camada de cimento no chão da cozinha. O problema é que, cerca de uma semana depois, outro rosto começou a se formar no novo pavimento — e não demorou até que rumores sobre a estranha mancha começassem a circular por Bélmez.

Boatos

Segundo relatam algumas fontes, o caso acabou chegando aos ouvidos do prefeito da cidade, e ele, por sua vez, teria mandando um fragmento do piso para ser analisado. Então, um time de especialistas foi enviado até a residência de María e, após dar uma olhada na cozinha, foi decidiu que escavações seriam conduzidas para tentar descobrir o que poderia ser a causa das persistentes manchas.

Face sinistra

Dizem que os trabalhadores encontraram diversos esqueletos medievais enterrados sob a cozinha de María, a pouco mais de três metros de profundidade, e que alguns crânios dessas ossadas estavam faltando. Os corpos — alguns datados do século 13 — foram removidos, novamente sepultados em um cemitério católico local e o chão da residência reparado. No entanto, de acordo com os relatos, isso não impediu que os rostos voltassem a aparecer.

Aproximadamente duas semanas depois de um novo piso ser colocado na cozinha de María, novas manchas voltaram a surgir e, ao longo das décadas seguintes, diversas faces teriam se formado no chão da residência. De acordo com os testemunhos, os rostos que apareciam eram, em sua maioria, de mulheres e crianças, e era comum que um fosse sobreposto por outro diferente — o que muitas vezes acontecia em intervalos de poucas horas.

Rostos e mais rostos

Na época, a notícia sobre as aparições se espalhou por todo o mundo, e inúmeros pesquisadores, céticos e especialistas em eventos paranormais foram até Bélmez investigar o caso. Evidentemente, as imagens também atraíram muitos curiosos, e a casa de María se transformou em um ponto de peregrinação.

Segundo dizem, análises realizadas em fragmentos obtidos do piso da cozinha apontaram que não havia nenhum tipo de tinta ou pigmento nas amostras. Além disso, diversos testes teriam sido conduzidos no local — incluindo um que consistiu em vedar portas e janelas com cera e cobrir o chão com tecido durante um período de três meses. Curiosamente, o experimento teria apontado que os desenhos tinham evoluído sozinhos no decorrer desse tempo.

Mas... e aí?

O caso das “Faces de Bélmez” chegou a ser considerado como um dos fenômenos paranormais mais importantes e bem-documentados do século 20, e diversas teorias foram propostas ao longo dos anos para explicar o surgimento das imagens. Mas, como você bem pode imaginar, muitos pesquisadores afirmaram que a coisa toda não passou de uma elaborada farsa.

Fenômeno paranormal ou elaborada farsa?

Entre os argumentos dos céticos está o fato de alguns testes terem apontado que os desenhos teriam sido criados por meio de uma simples mistura de vinagre com fuligem, sem falar que María e sua família teriam começado a cobrar uma pequena taxa dos curiosos e turistas que queriam ver as imagens. Ademais, de acordo com os incrédulos, na ausência de María, o aparecimento dos rostos parecia cessar.

Outro fator apontado pelos céticos é o contexto cultural em que a coisa toda se deu, uma vez que Bélmez se encontra na Andaluzia, uma região da Espanha onde as tradições ciganas e católicas muitas vezes se confundem, dando origem a uma fusão de crenças que misturam superstição e religião. Contudo, segundo dizem por aí, María faleceu em 2004, e os rostos continuaram a aparecer — embora de mais vagos e menos definidos do que os de antigamente. E você, caro leitor, o que acha?