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Dirigível USS Akron: o desastre esquecido

Quando foi idealizado, assim como os demais dirigíveis da indústria, o USS Akron era para significar o futuro da aviação, tanto militar quanto civil. No entanto, ele acabou caindo no esquecimento, apesar da desgraça aérea do qual foi vítima.

Destinado para operar na Marinha dos Estados Unidos como apoio às frotas, o dirigível ZRS-4, como era chamado antes de seu lançamento, começou a ser construído em 31 de outubro de 1929 pela empresa Goodyear-Zappelin Corporation, em um hangar especial na cidade de Akron, em Ohio, porque se tratava do maior dirigível já feito pelo país.

(Fonte: Pinterest/Reprodução)(Fonte: Pinterest/Reprodução)

O esqueleto do aeróstato foi feito com uma, na época, nova liga leve de duralumínio, um recurso novo em comparação ao design tradicional daquele tempo, com anéis de sustentação de 22,5 metros de altura e uma bolsa de ar feita de algodão emborrachado, que era mais pesada, mas também mais barata e durável em comparação com a pele de intestino de animal usado pela Alemanha, França e Grã-Bretanha.

Do tipo dirigível duro, ele tinha motores de impulsão a gás hélio em vez do hidrogênio inflamável, permitindo que fossem colocados no casco, o que ajudou a melhorar o controle do fluxo de combustível. Havia também, na embarcação, 44 sacos de lastro para armazenamento de água, 8 salas de máquinas, telefones, 110 tanques de combustível, bem como um sistema de transmissões e dispositivos de recuperação de água.

Destinado ao fracasso

(Fonte: Ohio Memory/Reprodução)(Fonte: Ohio Memory/Reprodução)

Com 239 metros de comprimento e o título de então um dos maiores objetos voadores já construídos, em 8 de agosto de 1931 o dirigível foi lançado e batizado como USS Akron pela primeira-dama Lou Henry Hoover. O voo inaugural aconteceu na tarde de 23 de setembro ao redor de Cleveland, com Adams e William A. Moffet a bordo, o secretário da Marinha e o contra-almirante, respectivamente.

Em 1 mês, o dirigível fez cerca de 10 voos de teste, incluindo uma jornada de mais de 48 horas para as cidades de St. Louis, Chicago e Milwaukee. Em 21 de outubro, ele deixou as docas da Goodyear Zepellin com o tenente comandante Charles E. Rosendahl no comando e, 6 dias depois, ele foi comissionado oficialmente como um veículo de propriedade da Marinha.

No entanto, em menos de 1 ano, o Akron sofreu 3 acidentes, sendo que o terceiro causou a morte de 2 marinheiros. Ainda assim, a Marinha não estava preparada para renunciar a sua “promessa dos ares”, principalmente porque oferecia vantagem em todos os aspectos para a concorrência, apesar da sucessão de erros.

A tempestade

(Fonte: Quora/Reprodução)(Fonte: Quora/Reprodução)

Na noite de 3 de abril de 1933, o USS Akron ficou encarregado de calibrar as estações de localização de rádio ao longo da costa da Nova Inglaterra. Entre comandantes e oficiais do mais alto escalão da Marinha dos EUA, também estavam a bordo 76 marinheiros que trabalhavam em todos os aspectos de operação do dirigível.

Por volta das 22h, eles sobrevoavam Barnegat Light, em Nova Jersey, seguindo em direção ao oceano, quando foram atingidos pelo mau tempo, que não foi alertado devido a uma falha de comunicação sobre o caminho que o Akron deveria seguir. E, em vez de contornar a tempestade que se acumulava no Atlântico, eles passaram bem no meio dela. Ninguém sabia, mas eles estavam voando através de uma das tempestades mais violentas e destruidoras dos últimos 10 anos, que varreram os estados ao longo do Atlântico Norte.

(Fonte: US Naval Institute/Reprodução)(Fonte: US Naval Institute/Reprodução)

A brisa ganhou força, e o Akron foi envolvido por neblina, chuva forte e relâmpagos, que tornaram a travessia extremamente turbulenta. Em questão de minutos, a aeronave perdeu 700 pés (cerca de 200 metros) de altitude, porém conseguiu retomar para a altitude de cruzeiro. Contudo, a segunda descida foi sem volta, fazendo o dirigível cair cerca de 4 metros por segundo.

O Akron se desfez no mar revolto do Atlântico, que engoliu todos os que estavam a bordo. Às 00h23, o capitão do navio mercante alemão Phoebus viu luzes descendo em direção ao oceano e, acreditando que pudesse ser um acidente de avião, ele mudou o curso do navio.

(Fonte: Pinterest/Reprodução)(Fonte: Pinterest/Reprodução)

Às 00h55, o comandante Wiley foi resgatado da água junto de Robert W. Copeland, Richard E. Deal e Moody E. Erwin. Mesmo sendo colocado em um respirador, Copeland não conseguiu recobrar a consciência e morreu já a bordo do navio.

Os marinheiros alemães avistaram mais alguns homens na água, porém não conseguiram salvá-los. O Phoebus fez uma varredura pelo oceano em busca de algum sobrevivente, mas ele já havia ceifado a vida de 73 tripulantes. O tempo estava tão implacável que, quando a Marinha enviou o dirigível J-3 para tentar o resgate naquela madrugada, ele também caiu e causou a morte de mais 2 homens.

O esquecível

(Fonte: The Columbus Dispatch/Reprodução)(Fonte: The Columbus Dispatch/Reprodução)

A queda do USS Akron foi o fim do dirigível rígido usado pela Marinha dos Estados Unidos, principalmente por causar a morte do contra-almirante William A. Moffet. “A perda do Akron com sua tripulação de oficiais e homens valentes é um desastre nacional”, declarou o então presidente, Franklin Roosevelt. “Eu sofro com a nação e especialmente com as esposas e as famílias dos homens que foram perdidos. Os dirigíveis podem ser substituídos, mas a nação não pode perder homens como o contra-almirante Moffett e seus companheiros”, ele afirmou.

Apesar da fala emocionada do presidente, não houve comoção nacional nem mesmo pela queda do Akron significar o maior desastre de dirigível da história. Não houve emissoras para cobrir a tragédia, tampouco fotógrafos e jornalistas. Muito diferente do que aconteceria em 6 de maio de 1937, no desastre de Hindenburg, quando o dirigível alemão virou uma bola de fogo em pleno ar enquanto tentava atracar na Estação Aérea Naval de Lakehurst.

(Fonte: Kathryn's Report/Reprodução)(Fonte: Kathryn's Report/Reprodução)

Enquanto o USS Akron ganhou o título de “desastre esquecido”, o acidente espetacular de Hindenburg se tornou um marco na história dos Estados Unidos, sendo até transformado em um filme estrelado por George C. Scott e sendo representado na capa de um álbum da banda Led Zeppelin.

“É o maior desastre de dirigível do mundo”, disse Nick Raconcza, historiador do condado de Ocean. “A maioria das pessoas não percebe isso. Todo mundo pensa que foi o de Hindenburg”, ele afirmou.  Para o USS Akron, não houve nenhum Herb Morrison gritando “ó, humanidade”, enquanto seus destroços eram resgatados do oceano.

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