Seja o primeiro a compartilhar

Linhas de ley: rotas energéticas ou mera fantasia?

Monumentos imponentes, como Stonehenge, Pirâmides de Gizé e Machu Picchu, impressionam pelo esplendor de sua arquitetura e pela aura mística que os envolve. O que adiciona um toque ainda mais enigmático a esses lugares é a sugestão de uma conexão invisível através das chamadas linhas de ley. O debate sobre a existência dessas conexões é uma linha tênue entre ciência e fantasia.

Linhas de ley: trilhas neolíticas ou "energias da Terra"

Alfred Watkins criou a teoria das linhas de ley em Hereford. (Fonte: Wikimedia Commons / Reprodução)Alfred Watkins criou a teoria das linhas de ley em Hereford. (Fonte: Wikimedia Commons / Reprodução)

O conceito de linhas de ley foi inicialmente proposto por Alfred Watkins, antiquário, fotógrafo amador e empresário britânico, na década de 1920. Em 1925, enquanto andava pela zona rural de Hereford, na Inglaterra, Watkins teve uma revelação. Observando a paisagem, ele notou que vários marcos antigos, como túmulos, colinas, e igrejas, pareciam estar alinhados em linhas retas.

Essa descoberta levou Watkins a especular que essas linhas eram antigas rotas comerciais ou caminhos utilizados por povos antigos para navegar pela paisagem. Watkins publicou suas ideias no livro intitulado The Old Straight Track, onde argumentava que esses marcos eram evidências de uma antiga rede de rotas, utilizadas na Idade da Pedra, antes do desenvolvimento das estradas modernas. Contudo, surgiram críticas devido à abundância dessas características na paisagem inglesa, tornando a ideia discutível.

Livro The View Over Atlantis, de John Michell. (Fonte: Pinterest / Reprodução)Livro The View Over Atlantis, de John Michell. (Fonte: Pinterest / Reprodução)

A década de 60 trouxe uma reviravolta nas teorias das linhas de ley, introduzindo a ideia de energias da Terra. Em seu livro, The View Over Atlantis, John Michell propôs que essas linhas eram "artérias espirituais" do planeta, conectando sociedades antigas a energias místicas.

Surgiu uma comunidade de caçadores de ley que buscavam sentir essas energias usando varas de radiestesia. O Dragon Project, iniciado na década de 1970, buscou evidências científicas, mas após mais de uma década de estudo não encontrou provas concretas que validassem a teoria.

Alinhamentos ao acaso ou padrões fabricados

Linha Sacra de São Miguel Arcanjo. (Fonte: Aleteia/Reprodução)Linha Sacra de São Miguel Arcanjo. (Fonte: Aleteia/Reprodução)

A crítica científica às linhas de ley cresceu ao longo do tempo. Matematicamente, é possível conectar pontos arbitrários em um mapa, criando padrões que não têm significado real. A Linha Sacra de São Miguel Arcanjo, por exemplo, e até mesmo a localização de lojas Woolworths, foram usadas para ilustrar como qualquer padrão pode ser encontrado se pontos suficientes forem escolhidos seletivamente. Enquanto alguns entusiastas das linhas de ley alegam que monumentos globais estão conectados, a falta de evidências científicas sólidas questiona a validade dessa teoria.

Embora as linhas de ley tenham cativado a imaginação e inspirado explorações, a ausência de provas concretas levanta dúvidas sobre sua existência. A ideia de energias da Terra e alinhamentos místicos permanece, em grande parte, no domínio da fantasia. Enquanto alguns veem essas linhas como conectores espirituais, a ciência continua a questionar sua validade.

Você sabia que o Mega Curioso está no Instagram, Facebook e no Twitter? Siga-nos por lá.