Pratos autolimpantes podem ser a solução para acabar com o acúmulo de louça
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Pratos autolimpantes podem ser a solução para acabar com o acúmulo de louça

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Quem nunca passou por essa situação: aquele dia em que parece que toda a louça da casa foi parar na pia e o tamanho da pilha não anima ninguém a encará-la? E nessa hora que muitos de nós desejamos que a louça – assim como as roupas – fosse descartável.

Bem, ainda não conseguimos arrumar uma solução que revolucione a lavanderia, mas tudo indica que estamos perto de acabar com o problema da cozinha com uma ajudinha da ciência. A grande novidade consiste em pratos e tigelas com um acabamento especial autolimpante que repele resíduos e líquidos.

As responsáveis pelo conceito inovador são as designers suecas Hanna Billqvist e Anna Glansén, que desenvolveram os protótipos em parceria com a Innventia, uma empresa especializada na pesquisa de materiais naturais.

Interessada na proposta, a Federação das Indústrias Florestais da Suécia financiou o projeto como uma maneira de explorar novas alternativas para a celulose – o extrato que forma as fibras das plantas e já é utilizado na fabricação do papel.

Protótipos criados por Hanna Billqvist e Anna Glansén. Fonte da imagem: Reprodução/Smithsonian

Utensílios com tecnologia

A tecnologia utilizada nas peças criadas por Billqvist e Glansén consiste em uma pequena variação do material – a nanocelulose – que não é apenas leve e maleável, como também suficientemente durável para resistir a quedas acidentais. Alguns chegam a comparar a durabilidade do material com o Kevlar – a fibra sintética que é usada em roupas a prova de balas e outros produtos resistentes a impactos.

Para criar os utensílios de cozinha, é preciso modelar o material em folhas flexíveis e utilizar o calor e a pressão para criar o formato desejado. A decoração fica por conta de uma técnica de marmorização que cria um aspecto elegante.

As propriedades autolimpantes vêm da aplicação de um acabamento com ação super-hidrofóbica que, segundo Glansén, é um composto totalmente natural criado para reproduzir o efeito de lótus. Um material é considerado super-hidrofóbico quando ele é capaz de repelir líquidos em um ângulo acentuado, sendo que esse ângulo é calculado conforme as gotas de água entram em contato com a superfície. Quanto maior o ângulo, maior é a capacidade do material de repelir líquidos.

Protótipos criados por Hanna Billqvist e Anna Glansén. Fonte da imagem: Reprodução/Smithsonian

Será que é seguro?

Quando falamos em substâncias de propriedades especiais que entram em contato com os alimentos e, consequentemente, podem ser ingeridas, é preciso pensar na segurança que elas oferecem. Um dos casos mais conhecidos é o Teflon, material antiaderente que ainda divide opiniões sobre os riscos que pode causar ao organismo.

Sobre o material em desenvolvimento, Glansén afirma que as peças autolimpantes – que são eficazes com alimentos que contenham tanto água quanto óleo – são seguras: “Existem produtos no mercado que têm acabamentos super-hidrofóbicos, mas eles não podem ser utilizados com alimentos e são feitos a partir de outros químicos. Essa nova tecnologia se baseia em substâncias naturais”, revela ela.

Embora seja apenas um conceito, as designers acreditam que a tecnologia pode ser uma solução a longo prazo, já que a pesquisa que está sendo realizada aponta para a produção de peças bastante duráveis. Por enquanto, a Innventia, parceira do projeto, estuda meios de produzir os utensílios e colocá-los a disposição dos consumidores.

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