4 gênios que ganharam o Prêmio Nobel mais de uma vez
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4 gênios que ganharam o Prêmio Nobel mais de uma vez

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O Prêmio Nobel, outorgado anualmente pela Academia Sueca, é concedido a pesquisadores, escritores e filantropos que se destacaram por suas contribuições para o avanço da humanidade. A premiação está entre os maiores reconhecimentos que uma pessoa pode receber ao longo de sua carreira e, pelo menos no que diz respeito aos cientistas, apenas as mentes mais brilhantes têm a honra de levar um “Nobelzinho” para casa.

E, se receber um desses prestigiosos prêmios já é um feito e tanto, imagine quão extraordinário um pesquisador precisa ser para ganhar um segundo Nobel! Pois existem quatro cientistas que tiveram esse privilégio — e você pode descobrir quem são eles a seguir:

1 – Marie Curie

A cientista Marie Sklodowska Curie, além de ser a primeira mulher da História a receber um Prêmio Nobel, foi também a primeira pessoa a ser laureada com duas dessas premiações — um em Física e, alguns anos depois, outro em Química. No entanto, você sabia que Curie quase não foi nomeada para o primeiro prêmio?

Marie Curie trabalhando em seu laboratório

Isso porque, em 1903, a Academia Francesa de Ciências decidiu indicar apenas os cientistas Henri Becquerel e Pierre Curie — marido de Marie — como candidatos ao Prêmio Nobel de Física à Academia Sueca. Só que o matemático Gösta Mittag-Leffler ficou indignado ao saber da indicação e avisou a Pierre, que, então, decidiu tirar essa história a limpo.

Olha Marie sentadinha próximo a Einstein e outros gênios de sua época durante a 5ª Conferência de Solvay

Pierre escreveu uma carta explicando que a participação de Marie na pesquisa dos corpos radioativos havia sido imensa para que ela não fosse incluída na candidatura. No fim, os três cientistas — o casal Curie e Becquerel — receberam o Nobel de Física e, em 1911, Marie recebeu o segundo prêmio, desta vez de Química, por sua descoberta dos elementos rádio e polônio.

2 – Linus Pauling

O feito de Marie Curie só foi repetido mais de quatro décadas mais tarde, pelo químico norte-americano Linus Pauling — que, aliás, foi o primeiro da História a receber dois Nobel não compartilhados. O primeiro prêmio ele recebeu em 1954, por suas pesquisas sobre a natureza das ligações químicas e suas aplicações na determinação da estrutura das substâncias complexas.

Químico e pacifista

Os trabalhos de Pauling revolucionaram a forma como as moléculas eram estudadas através da aplicação da mecânica quântica à química, e ele também pesquisou em detalhe as ligações químicas do hidrogênio, a estrutura das proteínas e conhecia como ninguém o funcionamento da hemoglobina — presente nos glóbulos vermelhos e responsável pelo transporte do oxigênio do sangue.

O segundo prêmio que Pauling recebeu foi o da Paz, em 1963, por seu ativismo político e por sua campanha iniciada nos anos 40 e que culminou na criação do Tratado de Interdição Parcial de Ensaios Nucleares, firmado por 113 países, incluindo os Estados Unidos, a então União Soviética, o Reino Unido, Alemanha, Japão, China e Brasil.

3 – John Bardeen

O norte-americano John Bardeen — formado originalmente em Engenharia Elétrica — foi o único cientista até a hoje a ser laureado com dois Nobel de Física, um em 1956, por seus trabalhos relacionados com semicondutores e pela descoberta do transístor, e o outro, em 1972, por sua participação no desenvolvimento da teoria da supercondutividade, juntamente com Leon Neil Cooper e John Robert Schrieffer.

Temos muito o que agradecer às pesquisas desse cara

Aliás, é graças — em grande parte — às pesquisas de Bardeen sobre a estrutura atômica e as propriedades dos semicondutores que podemos ouvir as últimas novidades no rádio, assistir às nossas séries e programas favoritos pela televisão, conversar por meio dos telefones celulares e navegar pela internet com os nossos computadores, smartphones e tablets. Também foi a partir de seu trabalho sobre a supercondutividade que os mistérios dessa propriedade física começaram a ser desvendados pela Ciência.

4 – Frederick Sanger

O último cientista a ter a honra de receber dois Nobel por suas contribuições foi o bioquímico britânico Frederick Sanger. Ele foi laureado com dois prêmios de Química, um em 1958, e o outro em 1980, e ambos foram pra lá de merecidos! A primeira premiação aconteceu depois de ele determinar a sequência de aminoácidos da insulina, hormônio responsável pela regulação do metabolismo da glicose.

Prêmios supermerecidos

Sua descrição detalhada da cadeia química que compõe a insulina permitiu que ela pudesse ser sintetizada em laboratório pela primeira vez em 1963 — façanha pela qual as pessoas que sofrem de diabetes serão eternamente gratas a Sanger —, mas não foi por isso que ele recebeu o segundo Nobel.

O prêmio seguinte, também de Química, veio em 1980, depois que Sanger desenvolveu um método de sequenciar o DNA, e sua técnica permitiu a realização do primeiro sequenciamento total do genoma de um organismo (na ocasião, do bacteriófago Φ-X174). Aliás, foi Sanger quem, basicamente, determinou as letrinhas com as quais o “Livro da Vida” está escrito — A, C, U e G, de adenina, citosina, uracila e guanina —, isto é, a sequência base dos ácidos nucleicos.

Menções honrosas

Além dos quatro gênios acima, que receberam dois prêmios cada um, existem duas instituições que foram laureadas mais de uma vez pela Academia Sueca! São elas o ACNUR — Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados —, com dois Nobel, e a Cruz Vermelha, organização humanitária internacional focada na proteção da vida, que já recebeu três.

Irène Joliot-Curie — filha de gênios...

Também vale mencionar que a família de Marie Curie, de quem falamos no primeiro item desta lista, soma quatro prêmios: um de Pierre Curie, dois de Marie e mais um de Irène Joliot-Curie, filha do casal que, em 1935, recebeu um Nobel de Química pela descoberta da radioatividade artificial.

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