Conheça as tretas e tensões que imperam na Basílica do Santo Sepulcro
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Conheça as tretas e tensões que imperam na Basílica do Santo Sepulcro

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Há alguns dias as atenções do mundo de voltaram para a Basílica do Santo Sepulcro, em Jerusalém, depois de ser anunciado que o local onde se acredita que Jesus foi sepultado após a crucificação seria aberto pela primeira vez após vários séculos. A iniciativa tem como objetivo principal restaurar a Edícula — estrutura que guarda a “cama” de calcário sobre a qual o corpo de Cristo teria sido colocado —, cujo projeto levou décadas para ser aprovado.

Isso porque o controle da Basílica do Santo Sepulcro, um dos locais mais sagrados da cristandade, recai sobre seis congregações cristãs — a Igreja Ortodoxa Grega, a Católica Romana e a Ortodoxa Armênia, com uma maior participação, e a Copta Egípcia, a Ortodoxa Etíope e a Ortodoxa Síria, com menor força —, e a convivência entre elas está bem longe de ser tranquila.

Tensões e tretas religiosas

Segundo Ishaan Tharoor, do portal The Washinton Post, as disputas entre as congregações que dividem a custódia da Basílica do Santo Sepulcro já deram origem a incontáveis contendas no interior do templo — e até brigas e motins nas ruas. E tudo é motivo para confusão entre os religiosos: quem vai varrer os degraus da basílica, que tapetes serão colocados diante dos altares, quem terá direito de participar das procissões diante da Edícula etc. Veja uma das tretas a seguir:

O pior é que, de acordo com Ishaan, os fiéis não só saem no tapa, como lançam mão de crucifixos, candelabros, velas, queimadores de incenso, lamparinas e até pedaços de madeira que, no calor do momento, eles arrancam dos santuários para agredir uns aos outros! Em uma ocasião “ilustre”, em 1846, a briga entre membros das igrejas Católica e Ortodoxa escalou ao ponto de eles se enfrentarem com facas e pistolas dentro da Basílica. Imagine Jesus vendo isso...

Mais quiproquós

Outro incidente sangrento aconteceu em 2009, quando um confronto violento entre padres ortodoxos gregos e armênios obrigou a tropa de choque israelense a invadir a igreja. Teve também uma ocasião, em 2002, em que 11 monges foram parar no hospital porque o monge que mantém guarda sobre a parte do teto da Edícula que corresponde à seita copta — isso mesmo... até a custódia do teto é dividida — moveu sua cadeira do sol e os etíopes não gostaram.

Flagra da briga de 2009

Também aconteceu em 2004 de um padre ortodoxo esquecer a porta da capela franciscana aberta depois de uma procissão — o que levou os franciscanos a entender que se tratava de uma demonstração de falta de respeito. O resultado? Uma baita briga com diversos monges presos.

Ainda teve a vez, no Domingo de Ramos em 2008, em que um padre ortodoxo foi jogado para fora da basílica, dando origem a uma baita confusão na rua. E quando as autoridades chegaram para apartar a briga, os monges foram atrás dos policiais também! O vídeo abaixo, registrado pelo The Washington Post, mostra um empurra-empurra flagrado este ano, durante a cerimônia do Fogo Sagrado:

Adivinha quem tenta manter a ordem!

O mais curioso é que, de acordo com Ishaan, por conta dessas rivalidades todas, quem mantém a posse das chaves da Basílica do Santo Sepulcro — ou seja, o poder de trancar todos esses briguentos para fora — são duas famílias muçulmanas. Parece que a origem dessa tradição data do século 12, quando um governante árabe, presumivelmente de saco cheio de tanta briga, confiou o papel de “guardiões” do templo às famílias Joudeh e Nuseibeh.

Essa é a chave da Basílica do Santo Sepulcro

Desde então, enquanto os membros da família Joudeh mantêm a posse sobre as chaves que abrem a Basílica do Santo Sepulcro, os integrantes da família Nuseibeh têm como missão abrir o templo pela manhã e trancá-lo no fim do dia.

Segundo o atual guardião da família Joudeh, Addeb, para ele, a basílica é a fonte da coexistência das religiões islâmica e cristã. Já conforme explicou o atual guardião da família Nuseibeh, Wajeeh, assim como acontece com todos os irmãos, que se desentendem de vez em quando, as congregações também têm suas disputas, e o papel das famílias muçulmanas é o de ajudar a todos a resolver suas contendas, e manter a neutralidade e a paz no interior desse local sagrado.

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