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Nos anos 40, James D. Hardy, Harold G. Wolff e Helen Goodell, médicos da Universidade de Cornell, nos Estados Unidos, decidiram criar um novo método para medir a intensidade da dor. Eles desenvolveram uma escala quantitativa de 21 pontos — batizada de “Dol” — e submeteram estudantes de medicina e mulheres em trabalho de parto a diversos experimentos bizarros, com o objetivo de medir a dor que sentiam.

A criação da escala

De acordo com um estudo publicado em 1947 pelos médicos, para determinar os diferentes estágios de dor, eles aplicavam calor sobre as testas de alguns participantes do experimento durante três segundos, aumentando a intensidade pouco a pouco. Apesar de apenas quatro indivíduos terem participado nesse primeiro estudo, eles foram submetidos a mais de 100 experimentos “dolorosos”, tudo em nome da ciência.

Depois de muitos cálculos — e de judiar dos coitados voluntários —, os pesquisadores determinaram uma escala que ia de 0 a 10,5 graus de dor, sendo que cada um deles era dividido em 2 estágios levemente diferentes, somando 21 pontos no total. Para que você tenha uma ideia, o grau 8, por exemplo, causava queimaduras de segundo grau nos participantes do estudo.

Entretanto, embora cada grau estivesse dividido em dois estágios, os autores do estudo concluíram que 8 dols, por exemplo, eram equivalentes a quatro experimentos de 2 dols sucessivos. Este aspecto aritmético era contrário à crença de que a dor possui aspectos de natureza subjetiva. Além disso, os pesquisadores, que também submetiam estudantes de medicina a experimentos, descobriram que a dor não está relacionada ao cansaço, aspecto bastante comum entre esses indivíduos.

Contrações e queimaduras

Um estudo posterior, publicado em 1948, apresenta os resultados de experimentos realizados com mulheres em trabalho de parto. Os pesquisadores provocavam dor através da aplicação de calor nas mãos das parturientes entre as contrações, com o objetivo de determinar a dor que elas sentiam durante o processo de dar à luz.

Os pesquisadores determinaram uma escala de dor para o trabalho de parto, na qual 2 dols correspondiam aos estágios iniciais, e 10,5 dols correspondiam à passagem da cabeça do bebê pelo canal vaginal, com uma regressão da dor de 3 dols a 0 depois de passadas 2 horas do final do parto.

Por que a escala “Dol” foi aposentada?

Na verdade, como os pacientes não eram capazes de separar aspectos como intensidade e tipo de dor, além das experiências subjetivas de cada um, a escala nunca foi adotada pela comunidade científica.

Contudo, os estudos originais publicados pelos pesquisadores, embora sejam fascinantes, também estão aí para provar o quanto a medicina investigativa progrediu nesses anos todos, além de mostrar como somos sortudos por contar com tantos regulamentos e regras na hora de cientistas malucos porem em prática experimentos bizarros com seres humanos.