Os sexólogos mais antigos da História e suas peculiaridades
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Os sexólogos mais antigos da História e suas peculiaridades

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O casal simpático da foto acima era formado por Richard von Krafft-Ebing e sua esposa Marie-Louise, que parecia feliz, não é mesmo? Talvez porque o seu marido tinha uma profissão não muito comum na época, no final do século 19: ele era sexólogo.

Além dele, mais alguns especialistas da sexologia se destacaram nos séculos passados, tanto por algumas teorias que ajudaram a medicina tradicional e psicologia quanto por absurdas suposições sobre o comportamento sexual.

Seus nomes podem não ser familiares para nós, mas havia muitos pesquisadores do sexo fascinantes que deixaram seus próprios legados com informações interessantes, porém nem sempre totalmente positivos. Confira abaixo os cinco sexólogos mais antigos da História e suas peculiaridades.

1 – Richard von Krafft-Ebing

Richard von Krafft-Ebing (imagem acima com a esposa) foi um psiquiatra austro-alemão que, em 1886, escreveu um livro sobre o que ele chamava de “sexualidade anormal”. As suas teorias foram muitas, tanto que formaram a enciclopédia “Psychopathia Sexualis”, que era uma coleção de estudos de casos que envolviam todos os tipos imagináveis ​​e categorias de desejos sexuais “desviantes”.

Por um lado, Krafft-Ebing definiu o cenário para os estudiosos classificarem como patologia qualquer interesse erótico que desviasse da chamada heteronormatividade, que é um termo usado para descrever situações nas quais orientações sexuais diferentes da heterossexual são marginalizadas. No entanto, por outro lado, Krafft-Ebing defendeu uma maior compreensão humana dessas pessoas, vendo-as como não tendo nenhum controle sobre seu próprio desejo sexual.

Segundo ele, alguns homens sofriam de "satiríase" (basicamente, o título masculino para a ninfomania) e deveriam ser perdoados de seus apetites carnais insaciáveis​​, fosse por problemas mentais ou genéticos, que levavam aos excessos libidinosos. Com essa teoria absurda, ele até conseguiu livrar a cara de alguns homens acusados de estupro na época.

2 – Havelock Ellis

Fonte da imagem: Reprodução/Wikimedia Commons

Em 1897, este estudioso do sul de Londres "emprestou" (alguns diziam que era plágio) um pouco da obra póstuma de um crítico literário gay chamado John Addington Symonds e foi o autor de um dos primeiros livros acadêmicos sobre a homossexualidade.

Intitulado “Inversão Sexual”, o livro refletia a visão de Ellis para os gays e lésbicas. Segundo ele, os homossexuais tinham um padrão “invertido” de atração erótica e as teorias de Havelock mostravam um retrato mais simpático da naturalidade dos desejos entre pessoas do mesmo sexo. Uma das contribuições mais importantes deste sexólogo era seu esclarecimento de que a homossexualidade é uma orientação psicológica e não simplesmente um ato sexual ou comportamento aleatório envolvendo o mesmo sexo.

Além disso, Ellis não escondia os seus próprios interesses sexuais originais e foi completamente aberto sobre sua adoração ao "fluxo divino”, nome pelo qual ele chamava a urofilia, o ato de urinar durante a prática sexual. “Isso nunca foi vulgar para mim, mas, sim, um interesse ideal, uma parte da beleza ainda desconhecida do mundo", disse o próprio Ellis em sua biografia.

3 – Wilhelm Stekel

Fonte da imagem: Reprodução/Wikipedia

Wilhelm Stekel foi um médico e psicólogo austríaco que era um seguidor de Krafft-Ebing, amigo de Sigmund Freud e criador de diversas teorias bizarras sobre perversão e fetichismo. Foi Stekel que cunhou o termo clínico "parafilia", que compreende as práticas sexuais com objetos ou outras fontes que não envolvem relações com outras pessoas.

Ele tinha um interesse acadêmico especial no fetichismo dos amputados ("Acrotomophilia"), ou seja, o desejo sexual por pessoas com membros faltantes. Seja uma armadilha do destino ou não, o fato é que Stekel se suicidou aos 72 anos, em 1940, para evitar a amputação de seu próprio pé, que estava gangrenado devido a diabetes.

Pelo jeito, ele achou que a teoria que tanto estudava e tinha interesse — e que também incluía a acrotomophile gerontophilic (o desejo por idosos amputados) — não seria tão boa com a sua própria pessoa.

4 – Kurt Freund

Fonte da imagem: Reprodução/Wikipedia

Um teórico e pesquisador prodigioso, a principal colaboração de Freund para a sexologia foi a invenção da máquina de detecção da circulação de sangue no pênis (também conhecida como o "pletismógrafo peniano").

O mais curioso foi como ele criou o aparelho. No início de 1950, Freund foi chamado para ajudar o exército da Checoslováquia com um problema. Alguns jovens recrutados estavam fingindo ser gays para evitar o serviço militar obrigatório.

Então, Freund pensou que a ereção (ou a falta dela) de um soldado frente a uma moça bonita nua denunciaria a sua orientação sexual. A partir disso, ele criou o equipamento, que também pode ser chamado de “detector de ereção” e que mede o volume de sangue do órgão masculino. O aparelho, mais modernizado, é utilizado até hoje, principalmente nas instituições de justiça, para a apuração de casos de pedofilia.

5 – Albert Ellis

Fonte da imagem: Reprodução/Famous Psychologists

O nosso quinto sexólogo da lista não tem nenhuma relação com o número 2, apesar do mesmo sobrenome. O psicólogo norte-americano Albert Ellis é mais conhecido como o fundador da terapia cognitivo-comportamental.

Mas, em 1964, ele lançou um livro sobre a ninfomania e os estudos sobre as mulheres “supersexuadas”. Com a coautoria de Edward Sagarin, no livro, Ellis argumentou que existem várias subespécies diferentes de ninfomaníacas entre nós e apresentou alguns estudos de caso de mulheres que passaram por sua própria clínica. 

Seus estudos com a America Psychiatric Association são notáveis ​​e revolucionaram o campo da sexologia, virando uma nova página e abrindo caminho para a revolução sexual norte-americana.

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