Como é que os golfinhos não se afogam quando dormem?

11/05/2017 às 04:002 min de leitura

Você já deve saber que os golfinhos precisam entrar em contato com o ar para respirar regularmente. É graças a essa característica que temos a chance de ver esses lindos animais com mais facilidade na superfície da água. Mas você já parou para pensar como eles fazem para dormir, uma vez que precisam de ar quase o tempo todo?

Para nós, humanos, dormir e respirar são atividades que fazemos naturalmente, não é nem preciso pensar. Nosso corpo já foi programado para manter a função respiratória sem que estejamos conscientes. Mas para os golfinhos, a coisa é bem diferente.

Ao contrário de nós, esses cetáceos só respiram quando estão conscientes – o que significa que eles sabem o momento exato em que precisam subir até a superfície, abrir o espiráculo (que é aquele orifício respiratório que eles têm no alto da cabeça) e reabastecer os pulmões.

Como esses mamíferos não inalam água, dificilmente morreriam afogados. Porém, eles podem facilmente acabar sufocados pela falta de ar. Então, como será que eles conseguem respirar enquanto estão dormindo?

Shutterstock

Tirando uma soneca

A peculiaridade dos golfinhos está justamente na maneira como eles dormem. Esses animais passaram por um processo de adaptação que faz com que eles durmam em intervalos que, de acordo com diferentes fontes, podem variar de 15 minutos a 2 horas. Ou seja, esses mamíferos passam o dia e a noite dormindo curtos períodos, o que seria para nós o mesmo que tirar uma série de sonecas.

Entretanto, o mais interessante é o que acontece no corpo desses animais enquanto eles dormem. Noelle Belden, especialista do Dolphin Research Center, nos Estados Unidos, explica: “Os cientistas descobriram que em vez de adormecer e entrar em um estado inconsciente, como os humanos, o golfinho descansa um hemisfério cerebral por vez. Então, enquanto um hemisfério está descansando, o outro está ativo para que o golfinho consiga abrir seu espiráculo acima da superfície da água”.

Independente da parte do cérebro que estiver ativa, o olho oposto do animal sempre estará aberto. Esse lado que se mantém ligado em um estado de alerta baixo é usado para vigiar predadores, obstáculos e outros animais. Ele também sinaliza em que momento é preciso subir para respirar ar fresco. Depois de alguns minutos ou horas, o golfinho repete esse processo, alternando o hemisfério cerebral que será desligado.

Além disso, os cetáceos reduzem sua frequência respiratória enquanto repousam. Um golfinho respira em média de 8 a 12 vezes por minuto quando está em atividade. Na hora de dormir, esse número diminui para uma média de 3 a 7 vezes por minuto.

Por mais que os pesquisadores tenham descoberto todas essas informações a respeito do sono dos golfinhos, existe uma coisa que eles ainda não sabem: a sensação de dormir quando parte do seu cérebro se mantém consciente. Como essa é uma situação que os golfinhos não podem nos explicar, os cientistas especulam que seja semelhante ao estado meditativo ou quando estamos sonhando acordados.

*Publicado em 19/5/2014

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