Monges acreditavam ter visto um asteroide atingindo a Lua no século 12
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Monges acreditavam ter visto um asteroide atingindo a Lua no século 12

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Galileu Galilei utilizou o telescópio para aprofundar os conhecimentos da humanidade sobre astronomia, mas muito antes dele o céu já era observado e analisado — ainda que nem sempre de forma eficiente, seja por falta de equipamentos ou conhecimento dos observadores.

Mesmo com essas limitações, Copérnico conseguiu entender que a Terra girava ao redor do Sol, mas não eram raros os casos em que fenômenos naturais ganhavam conotações de milagres religiosos. Essas situações eram registradas, mas, devido à forma rudimentar como acontecia, hoje são um desafio para os astrônomos.

Explosão lunar

No ano de 1178, um grupo de monges da Cantuária, na atual Inglaterra, testemunhou uma grande explosão na Lua. O acontecimento foi registrado por Gervásio da Cantuária e parece ter sido um evento de grandes proporções, segundo suas próprias palavras:

"Agora, havia uma clara lua nova, como era habitual naquela fase, e seus chifres estendiam-se para o leste; e eis que de repente o chifre superior foi dividido em dois. Do meio de sua divisão, uma tocha acesa saltou, lançando um longo caminho, chamas, brasas e faíscas. Também, o corpo da lua que estava mais baixo, torcido como se estivesse ansioso, e nas palavras daqueles que me contaram e viram com seus próprios olhos, a lua palpitava como uma cobra esmurrada. Depois disso, retornou ao seu estado adequado."

Quando ele menciona “chifres” na Lua, se refere às partes laterais mais finas que se mantêm iluminadas quando ela está parcialmente obstruída pela Terra. A descrição deixa claro que o brilho foi intenso e ocupou uma grande área do satélite, o que equivaleria a um meteoro com dezenas, senão centenas, de quilômetros de diâmetro. Gervásio registrou também que os monges que viram o acontecimento estavam dispostos a fazer um juramento a respeito, e isso era algo bem relevante na época.

Explosão misteriosa

O geólogo Jack B. Hartung se interessou pela questão após ler um registro do fato presente em um livro escrito por Isaac Newton. Depois da análise do texto original, junto dos conhecimentos atuais sobre a geografia da Lua, ele chegou à conclusão de que os monges testemunharam a formação da cratera Giordano Bruno. Ela é a mais recente registrada, e sua hipótese foi aceita por anos, mas alguns pontos ainda não faziam sentido.

O primeiro fato é que não se tem certeza sobre quando exatamente a cratera surgiu; pode ter sido há 800 ou 10 milhões de anos. Outro fato é que a cratera possui 22 quilômetros de largura e, para sua formação, seria necessário um asteroide com dimensões de 1 a 3 quilômetros de diâmetro.

Um corpo celeste com essas dimensões seria uma grande ameaça ao nosso planeta, caso não parasse na Lua. Os pesquisadores não acreditam que algo com tamanha magnitude tenha sido registrado somente por monges, pois seria impressionante para qualquer pessoa.

Tudo depende do ponto de vista

O assunto foi retomado em 2001 por Paul Withers, um estudante da Universidade do Arizona. Intrigado com o evento e considerando a hipótese levantada pelo geólogo, ele calculou as reações que um meteoro daquele tamanho causaria e chegou à conclusão de que um evento como esse espalharia detritos por toda a atmosfera terrestre.

Tudo o que um dia preencheu a cratera Giordano Bruno seria lançado no espaço, gerando o que ele chamou de "maior show de fogos da história". Seria impossível não testemunhar algo desse tamanho; ou seja, alguma coisa aconteceu naquela noite, mas não foi o choque de um meteoro na Lua.

Atualmente, a grande parte dos astrônomos concordam que o evento registrado pelos monges naquela noite foi a entrada de um meteoro na atmosfera, simples assim. A grande questão é que esse corpo celeste teria entrado bem na direção dos religiosos e, coincidentemente, alinhado com a Lua. Isso pode ter causado a sensação de que houve uma explosão no satélite, mas só do ponto de vista deles foi tão impressionante.

Nunca teremos certeza sobre o que de fato ocorreu, porém esse é um bom exemplo de que sempre devemos considerar e analisar todas as possibilidades antes de garantir algum acontecimento.

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