Estudos relacionam mais desastres naturais ao aquecimento global

Estudos relacionam mais desastres naturais ao aquecimento global

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Os eventos extremos se multiplicam ao redor do mundo e, em 2018, foram marcados pela influência das mudanças climáticas. De acordo com um relatório anual divulgado pelo Boletim da Sociedade Meteorológica Americana, que está em seu oitavo ano, 95% dos estudos desenvolvidos apontaram a influência direta do aquecimento global em eventos naturais extremos. A média nos últimos oito anos foi de aproximadamente 73%.

O ano de 2018 foi marcado por incêndios, ondas de calor na Europa e Ásia, recorde de gelo marinho no Ártico, entre outros eventos que foram analisados por diversos estudos para determinar se o aquecimento global teve papel importante na incidência desses eventos. Esse campo de pesquisa se chama ciência da atribuição, na qual vários eventos são incluídos a fim de descobrir as impressões que o aquecimento global tem nesses eventos desastrosos.

Segundo a cientista climática da NOAA e editora-chefe do relatório especial, Stephanie Herring, desde 2011, quando o primeiro boletim especial foi publicado, observa-se um aumento na porcentagem de artigos que mostram essa influência. Neste ano, apenas um artigo não encontrou um vínculo significativo entre o aquecimento global e o fenômeno analisado, a chuva extrema na Tasmânia, Austrália. Os cientistas examinaram a precipitação incomum em um único dia.

(Fonte: Pixabay)

Embora não tenham encontrado relação entre o aquecimento global e o evento que causou inundações e danos na cidade de Hobart, os cientistas admitiram que não existem muitos outros eventos semelhantes para comparação e o tamanho limitado da amostra pode ser a razão por não conseguirem fazer o vínculo. Ou seja, o aquecimento global pode ter desempenhado papel fundamental para o acontecimento.

Entre as relações descobertas pelos pesquisadores estão as inundações extremas que ocorreram no meio do Atlântico dos Estados Unidos que, de acordo com a análise, eram até duas vezes mais prováveis sob a influência das mudanças climáticas. O aquecimento global também contribuiu para a seca e reduziu a neve sazonal na região dos Quatro Cantos. Na Europa, as ondas de calor foram mais quentes do que teriam sido sem o aquecimento global e a chuva extrema no Japão foi 7% mais pesada por causa do aquecimento.

Eventos importantes podem deixar de acontecer

Além da influência do aquecimento global na ocorrência de eventos extremos em todo o mundo, alguns grupos de pesquisa registraram eventos que tem se tornado mais raros por causa das mudanças climáticas.

Um dos exemplos analisados foi a precipitação muito incomum que ocorreu no centro e sul de Moçambique, Zimbábue e sul da Zâmbia em fevereiro de 2018. A região, inclusive, deve se tornar mais seca à medida que o clima continue mudando, de acordo com os cientistas.

Um dos estudos incluídos no relatório deste ano mostra que esse tipo de evento de forte chuva tem 37% menos chance de ocorrer devido ao aquecimento global.

Mais aquecimento global, melhores pesquisas

De acordo com os especialistas existem duas razões pelas quais os cientistas estão encontrando cada vez mais relação entre o aquecimento global e os eventos registrados em todo o mundo. Uma delas é que o aquecimento global está se fortalecendo. Até pouco tempo atrás, alguns eventos eram considerados impossíveis de acontecer. Em 2017, por exemplo, uma onda de calor marinha na Costa da Austrália era considerada “virtualmente impossível”.

A outra razão é a sofisticação das pesquisas que, no campo da ciência das atribuições decolou há cerca de 15 anos. As primeiras pesquisas eram bastante limitadas a eventos simples e fáceis de modelar, como ondas de calor.

(Fonte: Pixabay)

Agora, os cientistas têm sido capazes de enfrentar fenômenos muito mais complexos, como furacões e incêndios florestais. “O que estamos vendo agora são documentos que abrangem uma incrível variedade de fenômenos. E isso é realmente uma prova da quantidade de trabalho que está desenvolvendo esse campo tão rapidamente”, salientou Jeff Rosenfeld, editor-chefe do Boletim da Sociedade Meteorológica Americana.

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