Cientistas descobrem clamídia nas profundezas do Oceano Ártico

Cientistas descobrem clamídia nas profundezas do Oceano Ártico

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Na esperança de aprender mais sobre os micróbios que prosperam nas profundezas do Ártico, cientistas recentemente realizaram análises de sedimentos desse ambiente pobre em oxigênio sob alta pressão e encontraram várias cepas de clamídias, algumas desconhecidas. A descoberta foi publicada no início deste mês na revista Current Biology.

Fonte: WUR/Reprodução(Fonte: WUR/Reprodução)

Dependente de outros organismos para sobreviver, Chlamydia é um grupo diverso de bactérias ao qual pertence a Chlamydia trachomatis, responsável por uma infecção sexualmente transmissível, que causa uma série de sintomas desagradáveis em humanos. Um novo estudo na biologia atual descobriu as bactérias no fundo do Ártico "abundantes, diversas e ativas", apesar de não haver sinal claro de organismos hospedeiros em sedimentos.

"A descoberta de clamídias nesse ambiente foi completamente inesperada e, é claro, levantou a questão: o que diabos eles estão fazendo aqui?", questionou Jennah Dharamshi, bióloga da Universidade de Uppsala, na Suécia, e primeira autora do estudo.

A Chlamydia recentemente descoberta foi coletada no fundo do Ártico (mais de 3 quilômetros abaixo da superfície), entre a Islândia e a Noruega. Após análises de DNA feitas pelos pesquisadores, 51 das 68 amostras continham esse tipo de bactéria, que compartilha um ancestral comum com as clamídias responsáveis por infecções genitais e respiratórias em humanos e animais.

Papel importante da clamídia na ecologia marinha

Os cientistas que realizaram a descoberta afirmaram que não é fácil recriar as condições extremas que prevalecem no fundo do oceano, por isso não conseguiram cultivar os micróbios em laboratório, o que tornou muito difícil o estudo exato de como as clamídias do mar profundo sobrevivem. Na ausência de organismos hospedeiros, a equipe acredita que eles podem "precisar de compostos de outros micróbios que vivem em sedimentos marinhos".

Dado seu parentesco com as clássicas clamídias, as bactérias recém-descobertas poderiam ajudar os pesquisadores a entender como esta evoluiu e desenvolveu suas qualidades patogênicas. O novo estudo também desafia a visão dos cientistas sobre onde as clamídias podem sobreviver e como elas conseguem fazer isso.

Fonte: ATI/Reprodução(Fonte: ATI/Reprodução)

Alguns dos grupos descobertos eram "excepcionalmente abundantes" em sedimentos oceânicos, sugerindo que têm um impacto significativo nos ecossistemas do fundo do mar. "As clamídias provavelmente foram negligenciadas por muitos estudos anteriores sobre diversidade microbiana", disse o coautor, Daniel Tamarit, biólogo da Universidade de Uppsala. "Esse grupo de bactérias pode desempenhar um papel muito mais importante na ecologia marinha do que pensávamos", concluiu.

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