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Espécie de tartaruga quase extinta ganha esperanças com a aparição de fêmea

Não faz muito tempo que o mundo acompanhou a saga de George Solitário: por muitos e muitos anos, ele foi o último exemplar vivo da espécie Chelonoidis abingdoni, um tipo de tartaruga das ilhas Galápagos. George, como seu apelido sugere, morreu sozinho em 2012 — sem deixar descendentes, decretando a extinção de sua espécie. 

A tartaruga de casco mole de Swinhoe (Rafetus swinhoei) parecia fadada ao mesmo fim melancólico: existiam registros de apenas um macho em cativeiro, em um zoológico da China. Havia também outra fêmea no mesmo local — mas ela faleceu em abril de 2019, sem conseguir se reproduzir com seu companheiro. 

Contudo, a esperança para a espécie — também conhecida como tartaruga de casco mole gigante do Yangtze e tartaruga de Hoan Kiem — reacendeu em outubro de 2020, quando outra fêmea foi encontrada e capturada em um lago no Vietnã. A descoberta foi divulgada agora, no início de janeiro, pela equipe da WCS (Wildlife Conservation Society). A organização sem fins lucrativos coordenou as buscas por outros exemplares da espécie, com pesquisadores do Asian Turtle Program (ATP). 

Fêmea da espécie Rafetus Swinhoei foi encontrada e capturada em outubro de 2020 (Fonte: WCS Vietnam/Reprodução)
Fêmea da espécie Rafetus Swinhoei foi encontrada e capturada em outubro de 2020 (Fonte: WCS Vietnam/Reprodução)
Fêmea da espécie Rafetus Swinhoei foi encontrada e capturada em outubro de 2020 (Fonte: WCS Vietnam/Reprodução)
Fêmea da espécie Rafetus Swinhoei foi encontrada e capturada em outubro de 2020 (Fonte: WCS Vietnam/Reprodução)

A esperança da espécie

Estratégias para descobrir e capturar novas tartarugas Rafetus swinhoei estavam sendo desenhadas por pesquisadores vietnamitas desde o início de 2019, mas tiveram de ser adiados por conta da pandemia de covid-19. 

Com a melhora da situação no país, os trabalhos puderam ser retomados no segundo semestre do ano passado, culminando na captura da fêmea, que tem um metro de comprimento e pesa 86 quilos. A ideia, a partir de agora, é fazer com que a tartaruga se reproduza com seu último companheiro. Caso isso não aconteça, os cientistas esperam que ela, ao menos, sobreviva à inseminação artificial. Foi justamente nesse processo que a fêmea anterior morreu. 

Mas as perspectivas para a tartaruga de casco mole de Swinhoe podem ser ainda melhores: os cientistas acreditam que existam outros animais no lago Dong Mo, o mesmo onde a fêmea foi capturada em outubro, e em outras lagoas próximos. Falta descobrir quais são os sexos das outras tartarugas — a torcida é para que sejam vários machos e fêmeas, permitindo a criação de estratégias mais amplas para a conservação da espécie. A Rafetus swinhoei era abundante no sudeste da Ásia, mas a população a caçava por sua carne e para usar seus ovos na medicina tradicional chinesa.  

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