Usar anti-inflamatórios continuamente faz mal para a saúde?

Utilizados como medicamentos analgésicos para o tratamento de inflamações e alívio de dores, os remédios a base de ibuprofeno e diclofenaco podem oferecer certos riscos aos pacientes quando tomados em grandes doses. Vendidos no Brasil com o nome comercial de Voltaren e Cataflam, os anti-inflamatórios passaram por uma série de estudos nas últimas duas décadas.

Em 2006, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) chegou a considerar a suspensão da comercialização de ambos os remédios por indícios de que eles poderiam ser responsáveis por aumentar o risco de doenças cardíacas. Embora sejam considerados seguros, esse tipo de medicamento só deve ser usado sob prescrição médica.

Riscos na pandemia

(Fonte: Pixabay)(Fonte: Pixabay)

No início de 2020, uma publicação do ministro da Saúde da França, Olivier Véran, no Twitter chamou atenção para os possíveis riscos do uso de anti-inflamatórios em pacientes infectados pelo vírus Sars-CoV-2 — causador da pandemia de covid-19. Segundo o representante do governo francês, o uso de remédios a base de ibuprofeno, cortisona e entre outros do gênero poderia agravar a infecção.

Como base de argumentação, o ministro levou em consideração um estudo publicado pelo The Lancet em março daquele ano. O documento, que já analisava como diabéticos e hipertensos possuíam maiores riscos de contrair casos severos de covid-19, apontou que o Ibuprofeno é responsável por aumentar a presença da molécula ECA2 nas células.

Por outro lado, o novo coronavírus se aproveita dessa enzima, que está presente pulmão, no intestino, nos rins e em vasos sanguíneos, para se alojar no organismo e dar início ao processo de multiplicação da infecção. Dessa forma, indivíduos que dependem desse tipo de medicamento para tratar suas condições se tornariam mais suscetíveis ao vírus.

Uso continuado

(Fonte: Internet/Reprodução)(Fonte: Internet/Reprodução)

Além da possível ligação com os casos de covid-19, o ibuprofeno e o diclofenaco são estudados pela comunidade científica em busca de respostas para entender os possíveis efeitos colaterais causados por esses tratamentos. Um dos exemplos disso foi o estudo feito pela Universidade de Oxford em 2013.

Na época, a universidade britânica analisou o prontuário de 353 mil pacientes para avaliar o impacto dos anti-inflamatórios e constatou que receitas médicas com altas doses diárias — a partir de 150 mg de diclofenaco ou 2.400 mg de ibuprofeno — aumentava consideravelmente a probabilidade de um paciente sofrer um ataque cardíaco, ter falência do órgão ou até mesmo falecer.

Por fim, sabe-se que o uso em excesso de anti-inflamatórios de maneira contínua também pode causar sintomas como gastrite, esofagite, lesões nos rins e aumentar o risco de câncer no colo retal. 


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