Cientistas modificam cérebro de vermes para que eles não fiquem bêbados
95
Compartilhamentos

Cientistas modificam cérebro de vermes para que eles não fiquem bêbados

Último Vídeo

Segundo um estudo publicado no The Journal of Neuroscience, cientistas do Texas criaram vermes que não ficam bêbados depois de ingerir álcool. A pesquisa mostra que eles alteraram um canal molecular que faz a ligação do álcool com o cérebro do verme Caenorhabditis elegans, modificando a composição genética do parasita.

Normalmente, quando os vermes são colocados em uma placa com álcool, eles ficam bêbados, sem capacidade de se mexer e rastejando muito mais lentamente. Mas, com o canal modificado, os vermes agiram da mesma forma que agem quando não estão sob o efeito do álcool. De acordo com os pesquisadores, esse é o primeiro exemplo de modificação realizada com sucesso em animais para evitar intoxicação.

Como isso funciona?

De acordo com Jonathan Pierce-Shimomura, neurocientista da Universidade do Texas e coautor do estudo, essa modificação não altera a função normal do cérebro, permitindo que ele continue funcionando normalmente. Isso é importante porque o canal que é modificado, chamado de canal BK SLO-1, também desempenha importante papel na regulação da atividade dos vasos sanguíneos, neurônios e trato urinário.

Para chegar nesse ponto, Pierce-Shimomura e sua equipe passaram muito tempo fazendo testes e alternando entre erros e acertos. “Tentamos uma abordagem de força bruta, testando centenas de mutações para determinar qual permitiria que o canal BK funcionasse normalmente, prevenindo a ação do álcool”, disse ele.

Este efeito é bem diferente do “rubor asiático” ou “rubor de reação ao álcool”, uma condição que faz com que certas pessoas, a maioria de origem asiática, processe o álcool de maneira ineficiente. “Rubor asiático é devido ao metabolismo lento do álcool que produz um subproduto chamado acetaldeído”, explicou Pierce-Shimomura.

O futuro dessa pesquisa

Os pesquisadores agora esperam desenvolver drogas que façam o mesmo efeito em ratos e, eventualmente, em seres humanos. “Nós encontramos uma maneira de desenvolver futuros medicamentos que possam ter como alvo uma única proteína do cérebro humano, o chamado canal BK, para quebrar o efeito do álcool e evitar intoxicação”, disse o neurocientista.

É claro que uma droga dessa natureza leva um longo tempo até ser testada em humanos e, mesmo que eles consigam desenvolver o medicamento, o paciente provavelmente não iria se livrar de todos os sintomas da intoxicação, porque o álcool age em diversos alvos do cérebro humano.

Se os cientistas chegarem mesmo a essa descoberta, encontrando uma droga que cause o mesmo efeito que a mutação, isso será capaz de ajudar as pessoas a superarem a dependência do álcool e os efeitos da abstinência, porque o alcoolismo é um problema sério que atinge muitas famílias do mundo inteiro.

Você sabia que o Megacurioso está no Instagram, Facebook e no Twitter? Siga-nos por lá.