O cheiro dos aviões é muito mais nojento e tóxico do que você imagina
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O cheiro dos aviões é muito mais nojento e tóxico do que você imagina

Equipe MegaCurioso
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Ao entrar em um avião, algumas coisas são bem típicas de um embarque. Os passageiros tentando encaixar as bagagens de mão no compartimento interno da aeronave, aeromoças distribuindo sorrisos e, às vezes, alguma balinha antes da decolagem e, por fim, o aroma esquisito que empesteia todas as cabines.

É difícil descrever exatamente esse cheiro, mas quem já voou em um avião de passageiros certamente vai lembrar. Ele é um misto de muitas coisas, algumas delas nada agradáveis, mas você sabe do que ele é composto de fato?

Vamos começar pela parte boa antes de partir para as coisas repulsivas e, possivelmente, perigosas.

Açúcar, tempero e tudo que há de cafeína

Cada companhia aérea tem sua própria fragrância que é borrifada antes do embarque. Ela varia bastante, mas muitas vezes é uma mistura que inclui lavanda ou camomila para ajudar a acalmar os passageiros antes da decolagem e também para disfarçar os cheirinhos menos agradáveis.

Além disso, o café servido a bordo tem um aroma bem forte, que acaba se espalhando por toda a aeronave, mesmo que ele esteja bastante aguado, como acontece na classe econômica de voos internacionais.

Os sucos, refrigerantes, cervejinhas ou qualquer outra bebida que os comissários de bordo oferecem também colaboram para compor a parte boa do cheirinho de avião.

Lanchinho aéreo

Se você tiver sorte de estar em um voo em que será servida refeição de verdade no lugar de barrinhas de cereal ou amendoim, aquele sanduíche esquisito ou o prato com molho misterioso também conseguem contribuir com o aroma.

Os jantares oferecidos em aeronaves não são conhecidos por sua qualidade ou sabor caprichado, porém não chegam a ter um cheiro insuportável ou verdadeiramente repulsivo.

Seria ótimo se a lista de odores que compõem a fragrância de avião acabasse bem aqui. Entretanto, não é esse o caso, e, a partir daqui, as coisas começam a sair dos trilhos e ficam um pouco nojentas.

Carpetes e cadeiras decorados com suor e grude

Sabe quando você entra em um carro novinho e sente o cheiro delicioso dos materiais limpos que acabaram de sair da fábrica? Uma aeronave de passageiros é o extremo oposto desse ponto.

Ainda é possível sentir o odor de plástico, couro e tecidos, porém todos eles estão cobertos com uma mistura de suor humano, sujeira de sapatos, restos de chiclete e poeira que acaba se acumulando em frestas.

Dependendo do tipo de voo e da companhia aérea, a limpeza do avião pode ser mais ou menos frequente. Isso se deve à falta de uma regulamentação internacional que determine a frequência da higienização das aeronaves e também ao intervalo pequeno entre o pouso e a decolagem.

Limpeza? Quase lá

Algumas cabines podem ficar meses sem uma limpeza profunda. E, na limpeza do dia a dia, muitos desinfetantes são usados na forma de spray ou líquido. Essa é uma tentativa de dar aparência e odor um pouco melhores para as cadeiras suadas.

Claro, todos os produtos de limpeza deixam um cheirinho, e isso também se soma ao aroma de avião.

Número 1 e número 2

Por falar em produto de limpeza, um dos componentes do coquetel nojento da fragrância de aeronaves é o líquido azul que fica nas privadas dos minúsculos banheiros da cabine.

E, obviamente, o produto para a limpeza dos vasos sanitários não está sozinho. A pestilência da urina e das fezes de muitos passageiros também fica no ar por bastante tempo, especialmente aquele futum extremamente desagradável da diarreia alheia.

Nada de insetos

Para evitar que insetos transmissores de doenças usem as aeronaves para viajar entre continentes e espalhar epidemias, as companhias aéreas adotaram alguns cuidados para eliminar as pragas, como o uso de inseticidas.

A utilização desses produtos varia muito dependendo da rota do avião. Em alguns casos, é necessário usar os pesticidas depois que os passageiros já terminaram de embarcar, com as portas fechadas.

Os comissários de bordo sempre afirmam que os sprays não representam riscos para a saúde humana. Entretanto, isso não quer dizer que o odor dos inseticidas usados seja minimamente agradável.

Neurotoxinas

Por mais que seja desagradável estar em um voo borrifado com pesticidas ou com alguém com problemas intestinais, estes não são os piores cheiros que você pode inalar em um avião.

Existe uma doença chamada síndrome aerotóxica. Ela é causada pela exposição ao ar contaminado por óleo e outros aditivos usados para lubrificar os compressores da turbina em aeronaves a jato.

A contaminação acontece quando a vedação ou algum outro componente do sistema de ventilação se desgasta e tem a sua eficácia reduzida. Se a proteção de fato falha e permite que uma quantidade muito grande do óleo se misture ao ar quente do compressor, o líquido vira gás e entra na cabine.

Evento de fumaça

Esse tipo de acontecimento é chamado de “evento de fumaça”. Eles não são tão comuns, porém, com exceção do Boeing 787, todas as aeronaves a jato estão propensas a passar por um problema desse tipo.

Os sintomas de ser exposto às neurotoxinas incluem fadiga, visão embaçada, tremedeiras, perda de equilíbrio, convulsões, perda de memória ou de consciência, dores de cabeça, tontura, problemas cognitivos, enjoo, diarreia, vômito, irritação dos olhos e vias aéreas, tosse, dificuldade para respirar e alteração do ritmo cardíaco.

Entretanto, em casos de curta exposição de passageiros, os efeitos da intoxicação normalmente desaparecem sozinhos.

O contato com o evento de fumaça é mais preocupante em casos de longa duração ou de doses repetidas de curta duração. Por conta disso, os tripulantes de aeronaves, como pilotos e comissários, estão mais propensos a terem problemas mais severos e, em alguns casos, até permanentes.

O cheirinho de avião acaba de se tornar um pouco menos agradável depois de aprender tudo isso, não é mesmo?

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