Você já ouviu falar a respeito da teoria da “Inveja do Pênis”?
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Você já ouviu falar a respeito da teoria da “Inveja do Pênis”?

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Você leu o título da matéria e logo imaginou que se tratava de algo associado com a competição masculina ou os ciúmes daqueles que têm o maior membro da turma? Então, saiba que vamos falar a respeito de uma teoria proposta por Sigmund Freud — e que não tem nada a ver com a dimensão dos “pipis”.

Freud — conhecido como o pai da psicanálise e famoso por aplicar terapias que focavam na interação da mente consciente e inconsciente — apresentou o conceito da inveja do pênis na década de 30. Segundo o psicanalista, a inveja surge quando as meninas atingem a fase fálica, entre os 3 e 6 anos de idade, e percebem que não possuem o mesmo órgão que os meninos.

(Fonte: Shutterstock)

Ainda de acordo com Freud, a inveja aparece quando, na fase fálica, as meninas se dão conta de que os meninos sentem mais prazer do que elas quando estimulam seus órgãos sexuais. Além disso, conforme acreditava o psicanalista, o ciúme aumenta com o passar do tempo.

Freud explica

Para Freud, a diferença entre a sexualidade feminina e a masculina se resumia na presença — ou ausência — do pênis, e as duas se desenvolviam de forma semelhante até a fase fálica. A partir desse estágio, o psicanalista acreditava que as meninas passavam a ressentir os meninos por eles terem “pipis”, mas elas não.

Aliás, o ressentimento delas se estendia às mães, já que seria delas a culpa de as meninas terem nascido sem pênis. Por essa razão, segundo Freud, as filhas tendem a criar laços mais estreitos com os pais — com o objetivo inconsciente de “ter” um falo também.

(Fonte: Shutterstock)

No entanto, ao perceberem que os pais não podem suprir seus anseios, elas passam a alimentar o desejo de ter filhos do sexo masculino. Esse anseio, de acordo com Freud, reflete a ideia de que conceber um bebê do sexo masculino é o mais próximo que uma mulher chegará de ter um pênis.

Vale lembrar que, na época em que Freud desenvolveu suas teorias, ele vivia em uma sociedade muito mais sexista que a de agora e com certeza foi fortemente influenciado por ela. Para ele, enquanto a sexualidade masculina se encontrava acessível à investigação, a feminina era impenetrável, em parte por conta de diferenças culturais e do comportamento “reticente” e “desonesto” das mulheres. Pô, Freud!

Metáfora freudiana

A teoria de que as mulheres sentem inveja dos pênis é, evidentemente, bastante controversa — e foi derrubada há muito tempo. Afinal, Freud via as mulheres como criaturas sexualmente passivas, que só praticavam o sexo com o intuito de procriar. Sua exploração da sexualidade feminina não se centrava nas mulheres, mas sim nos homens (e seus falos), o que significa que a visão do psicanalista era bastante limitada.

(Fonte: Shutterstock)

Por outro lado, existem profissionais da área que acreditam que o conceito possui sua simbologia e que, em determinados contextos, pode ser justificado e até pode fazer sentido se for interpretado metaforicamente. Assim, em vez de a inveja do pênis ser encarada de forma literal — ou seja, no lugar de ser entendida como o desejo feminino de ter genitais masculinos —, a teoria representa o conflito com a dinâmica de poder na sociedade.

Portanto, a inveja do pênis poderia ser interpretada como o ciúme inconsciente que as mulheres sentem do que faz dos homens homens, associando o órgão à ideia de status e domínio. Assim, apesar de o pênis ser uma característica comum nos homens, a inveja desse órgão não simboliza problemas com a aceitação do próprio gênero — masculino ou feminino — nem sinaliza problemas de autoimagem. De certa forma, ela evidencia a desigualdade de oportunidades.

Contraponto

Pois, assim como existe o conceito da inveja do pênis, também existe a teoria sobre a inveja do útero. Segundo essa ideia, alguns homens desenvolvem um ciúme inconsciente da habilidade das mulheres de ter filhos, já que elas podem escolher quando e com quem desejam ter suas crianças — enquanto os homens dependem completamente da decisão delas para poder ter seus descendentes.

(Fonte: Crave)

O mais curioso é que, na sociedade atual, é cada vez mais comum ver homens alimentando o anseio de se tornar pais — e inclusive uns tantos rapazes profundamente frustrados por não encontrar mulheres dispostas a ajudá-los a transformar seus desejos em realidade.

Por outro lado, o conceito da inveja do útero também possui um revés negativo para o universo feminino, já que alguns homens seriam levados a — inconscientemente — menosprezar as mulheres por conta de sua capacidade de gerar filhos.

A teoria da inveja do útero foi proposta pela psicanalista alemã Karen Horney, que acreditava que Freud havia negligenciado os papéis de homens e mulheres na sociedade. Para Karen, o problema não estava no fato de as mulheres desejarem ter um pênis — e tentar obter um arranjando maridos ou concebendo filhos do sexo masculino. Evidentemente.

(Fonte: Shutterstock)

Levando em consideração a sua visão sobre as teorias de Freud e o papel da mulher na sociedade, a verdade é que é um pouco surpreendente que Karen tenha apresentado sua teoria. De qualquer forma, para a psicanalista, a inveja do útero surge quando os homens decidem estabelecer uma família e se tornar pais, mas percebem que não têm total controle da situação.

Além disso, segundo Karen, os homens também sentiriam inveja da incerteza da paternidade, enquanto as mulheres não têm dúvidas de que seus descendentes são realmente seus. Assim, levando em consideração o fato de que um precisa do outro para conceber filhos, tudo indica que homens e mulheres continuarão sentindo inveja mútua — quando deveriam simplesmente aceitar que os dois se completam apesar de suas diferenças.

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