Sabia que a criança que representava a perfeição ariana era judia?
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Sabia que a criança que representava a perfeição ariana era judia?

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Como você deve saber, entre muitas ideologias absurdas, os nazistas eram defensores do conceito da “raça ariana”, isto é, eles acreditavam na existência de uma linhagem supostamente mais pura de humanos, composta por pessoas altas, fortes, de constituição clara e mais inteligentes que do que o resto da população. Segundo essa noção, os povos nórdicos e germânicos pertenciam a essa “etnia” especial, e os nazistas investiram muito esforço, tempo e dinheiro em propagandas para plantar essa ideia na mente do povo alemão.

Um exemplo dessa propaganda massiva é a imagem que estampa a capa da revista que você pode ver logo mais, publicada em 1935. Intitulada Sonne ins Haus — ou O Sol está em Casa, em tradução livre —, ela foi clicada por um dos fotógrafos mais respeitados da Alemanha depois de esse profissional vencer um concurso relacionado com uma campanha nazista e mostra uma bebezinha que nasceu em Berlim em 1934, filha de um cantor de ópera cujo nome artístico era Yasha Lenssen.

Ironias em série

De acordo com Dan Lewis, do site Now I Know, o retrato foi clicado por um dos fotógrafos mais respeitados da Alemanha e selecionado para representar a “criança ariana perfeita”. Acontece que, segundo Dan, existem várias ironias relacionadas com o retrato! Para começar, os pais da criança não sabiam que a foto concorreria a um concurso relacionado com a propaganda nazista, e o fotógrafo inscreveu a imagem sem o consentimento do casal.

Perfeição arianaA "infame" capa (Now I Know)

Além disso, etnicamente falando, a bebê nem era alemã, uma vez que seus pais eram nascidos na Letônia — nem falavam alemão em casa, mas sim russo! O casal só se mudou para a Alemanha para estudar em um conservatório de música em Berlim, e a ideia inclusive era de um dia retornar para seu país de origem.

E, para tornar a coisa toda especialmente irônica, o nome real de Yasha era Jacob Levinsons, o de solteira da mãe, Pauline Levine, e o da garotinha, Hessy Levinsons, e ela era neta de um precentor, isto é, um homem que era solista em uma sinagoga. Em outras palavras, a criança eleita para representar a perfeição ariana era, na verdade, judia! Mas, como é que essa confusão toda foi acontecer?

Confusão

Segundo Dan, como o nome artístico de Jacob não era judeu, ele arranjou um emprego em uma companhia de ópera nos anos 30 e manteve o emprego até seus chefes descobrirem seu nome verdadeiro — e, portanto, sua religião. Depois, Jacob conseguiu um trabalho como representante de uma companhia internacional e, dessa forma, manteve uma fonte de renda modesta, mas estável para a família.

Hessy LenvinsonsHessy Levinsons um pouco maiorzinha (The Revisionist CODOH Forum)

Quando Hessy fez 6 meses, o casal decidiu investir em um retrato bacana da filha e, para isso, procurou o tal fotógrafo. A imagem original foi colocada em um porta-retrato sobre o piano da casa dos Levinsons, e a confusão com a foto só foi acontecer alguns meses mais tarde, depois de o rostinho ariano (só que não!) de Hessy aparecer na capa da revista. O curioso é que, sem saberem a verdadeira origem e religião da criança, muitas famílias alemãs acabaram enquadrando a publicação e colocando a fotografia de Hessy em exibição em casa!

Os pais de Hessy chegaram a conversar com o cara que clicou a foto e descobriram que tudo aconteceu depois de os nazistas organizarem um concurso de beleza e convidarem o profissional e outros tantos fotógrafos para participar. Na realidade, o homem responsável pelo retrato sabia perfeitamente que a garotinha era judia e selecionou a imagem dela propositalmente para que os nazis fizessem papel de ridículo. A artimanha, apesar de arriscada e potencialmente perigosa para os Levinsons, deu certo!

Hessy adultaOlha a Hessy aí! (The Telegraph/Ohad Zwigenberg/Yedioth Ahoronot)

Aliás, a história dessa família judia, por sorte, teve um final feliz. Com medo de serem descobertos e perseguidos pelos nazistas, os Levinsons fugiram para a França em 1938 e, depois, para Cuba. Por fim, Hessy se mudou para Nova York, estabeleceu residência e se casou por lá — e é graças ao testemunho dela que hoje sabemos dessa incrível e irônica história.

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