Rede pública tem maioria dos aprovados na USP pela 1ª vez

Em ano de seleção histórica, a Universidade de São Paulo (USP) confirmou que, pela primeira vez, alunos da rede pública formaram maioria em índice de aprovação de calouros, totalizando cerca de 51,7% do conjunto de novos ingressantes na instituição.

Com os novos resultados obtidos pela USP, a universidade apresenta seus melhores números desde 1995, quando a instituição passou a aceitar matrículas de estudantes de escolas públicas. Segundo os dados fornecidos, 5.678 das 10.992 foram preenchidas por alunos da rede pública e a meta pré-estabelecida em 2017, que propunha ocupar metade das vagas com esse perfil de alunos, foi finalmente alcançada, quebrando mais de uma década em que esse índice geral vem atingindo projeções menores que 43%.

(Fonte: CNN / Reprodução)(Fonte: CNN / Reprodução)

"Essa inclusão tem sido extremamente significativa para a universidade se enriquecer mais e interagir ainda mais com a sociedade. Essa é uma tarefa muito importante: dar oportunidade a esses jovens, que são muito talentosos", comentou o professor Vahan Agopyan, atual reitor da universidade.

Das 42 unidades de projeto e pesquisa distribuídas pelo campus universitário, apenas 12 não alcançaram a meta de 50%. Porém, apesar dos índices abaixo da média geral, os departamentos concorridos de Medicina, Politécnica e Direito ficaram muito próximos dessa metade — respectivamente 41,1%, 41,5% e 49,3% — e indicam projeções otimistas para os próximos vestibulares.

Um longo caminho para a inclusão

Com a meta de estudantes de rede pública atingida, o próximo passo da USP é incluir mais jovens de perfil socioeconômico baixo em sua grade de alunos, visto que a renda média desses universitários ainda forma maioria com condições de receber acima de cinco salários mínimos. 

As novas margens de ingresso publicadas pela universidade sugerem mudanças nesses perfis, visto que 49,4% dos calouros têm renda familiar bruta entre um e cinco salários mínimos e apenas 15% possuem renda entre 15 a 50 salários mínimos, mas a ideia é contornar isso a longo prazo e incluir jovens com poucas oportunidades e recursos financeiros. 

"É muito louvável que a USP tenha chegado a mais de 50% de alunos aprovados serem oriundos da rede pública do Brasil. No entanto, nossa comunidade ficará mais feliz quando esses 50% tiverem dentro da renda de no máximo 1,5 salário mínimo", conclui Frei David Santos, diretor executivo da Educafro Brasil.

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