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Tlatelolco: quando o governo abriu fogo em milhares de estudantes

Desde o fim da década de 1950, quando o México ainda era governado pelo presidente Gustavo Díaz Ordaz, o governo lutou para manter a ordem pública em um período de crescente tensões sociais. No entanto, durante esse processo de tentativa de dirigir a economia do país, ele acabou reprimindo os movimentos sindicais de trabalhadores independentes e de agricultores que só lutavam para viver sob circunstâncias melhores e ser acolhidos pelas políticas públicas que não os alcançava.

Já em 1960, essas tensões se tornaram ainda maiores devido à desigualdade social, pois a classe média desfrutava de uma qualidade vida ainda maior do que nos anos anteriores. Os ricos puderam mandar seus filhos em bando para as universidades com facilidade, enquanto os estudantes pobres sofriam para conseguir até mesmo se formar no Ensino Médio.

O derramamento de sangue

(Fonte: The Mex Files/Reprodução)(Fonte: The Mex Files/Reprodução)

Desde maio de 1968, movimentos estudantis eclodiram em várias partes do mundo, como na França, Alemanha, Estados Unidos e até no Japão, após confrontos com a administração de escolas e universidades, e a polícia. No México não foi diferente: o movimento surgiu a partir de uma briga de rua entre estudantes do ensino médio após um jogo de futebol, devido à maneira como a polícia de choque lidou com a situação, dando tiros no portão da Escola Preparatória Nacional de San Ildefonso e causando a morte de alguns alunos.

Nos meses seguintes, a Cidade do México foi palco de uma série de protestos estudantis e passeatas contra a repressão e violência, principalmente no verão daquele ano, às vésperas da abertura dos Jogos Olímpicos no país, em que houve uma forte pressão para que o governo se movesse diante da necessidade de mudança em vez de pensar nas Olimpíadas.  

Em 2 de outubro de 1968, foi organizado uma grande marcha pacífica com mais de 10 mil universitários e colegiais, que chegou até a Praça das Três Culturas, em Tlatelolco. No entanto, o presidente Díaz Ordaz já estava farto das manifestações, portanto mandou que tropas armadas se esgueirassem nas janelas dos edifícios vizinhos e abrissem fogo contra os civis.

(Fonte: The Guardian/Reprodução)(Fonte: The Guardian/Reprodução)

Entre 350 e 400 pessoas foram mortas com os tiros, apesar de apenas 44 mortes terem sido formalmente documentadas, sendo que mais de 1 mil ficaram feridas com disparos de raspão e pisoteamentos quando a marcha foi consumida pelo desespero. Como forma de retratação, o governo de Díaz Ordaz alegou que os atiradores só dispararam porque foram provocados pelos manifestantes, porém os arquivos tornados públicos em 2000 apontaram exatamente o contrário, visto que havia um plano de ataque todo orquestrado pela Direção Federal de Segurança.

Na época, em meio a um regime autoritário, ninguém nunca foi responsabilizado, e o massacre permanece impune.

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