Quem foi Platão e por que ele é importante até hoje?

Platão nasceu por volta do ano 428 a.C., era de linhagem nobre e cresceu vivenciando alguns dos momentos mais importantes da Grécia Antiga. Na juventude, viu a Guerra do Peloponeso (431-404 a.C.) e, quando atingiu a maior idade, Atenas sofria sua dramática e fatal derrota para Esparta.

Suas ideias filosóficas, consideradas ainda atuais, são utilizadas como inspiração, base e estudo até hoje. Mas por que um filósofo que viveu e construiu seu trabalho há tanto tempo ainda é relevante? 

(Fonte: Shutterstock)(Fonte: Shutterstock)

A educação de Platão

O autor da Alegoria da Caverna estudou filosofia, ginástica e poesia com os mais importantes professores atenienses, entre eles, o filósofo Crátilo. Além disso, tudo o que sabemos sobre os ensinamentos de Sócrates chegou até nós por meio dos escritos de Platão.

Platão dedicou sua vida a um objetivo muito claro: auxiliar as pessoas a alcançar um estado de realização, especialmente por meio do que é a consciência.  Até hoje, suas ideias permanecem importantes, atraentes e provocativas. Para ele, a filosofia era uma das mais eficientes ferramentas para ajudar o mundo.

Platão e a sua importância

Platão se tornou muito famoso por escrever em forma de diálogos. Essa técnica permitiu tornar sua filosofia mais acessível. Ao usar discursos curtos e réplicas bem embasadas, inteligentes e racionais, ele conseguiu explorar complexos tópicos filosóficos sem precisar submeter os interessados a longos e exaustivos ensaios.

Aliás, seu método de buscar a verdade por meio do debate, não pela afirmação, parece ser muito adequado aos dias atuais, visto que muitas discussões importantes para a sociedade são polarizadas e opiniões sem fundamentos tratadas como verdades.

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1. A democracia deveria dar “um tempo”

Calma, Platão não queria acabar com a democracia ateniense. O que ele avaliava era que as pessoas não sabiam votar. Por isso, os governantes eram muito abaixo do padrão ideal. 

Além disso, ele não pretendia que Atenas virasse uma ditadura, mas desejava que as pessoas fossem impedidas de votar até que conseguissem pensar racionalmente, ou seja, até se tornarem filósofos. Inclusive, fundou uma escola chamada “A Academia” para ajudar com isso.

Após sua morte, Aristóteles, seu aluno, continuou seu trabalho, apesar de ser um crítico intenso das teorias de seu mestre. Curiosamente, saber ou não votar é uma discussão que nunca saiu de moda.

2. Reforma da sociedade

Platão refletia muito sobre o que seria uma sociedade e um governo ideal. Aliás, ele é considerado o primeiro pensador utópico do mundo por isso. Esse pensamento foi inspirado pela maior rival de Atenas: Esparta. Mas ele não estava interessado em descobrir como transformar todo mundo em soldados eficientes e disciplinados. 

Na verdade, ele queria saber como melhorar a sociedade para a felicidade. Aqui cabe uma distinção dos filósofos modernos. Para Platão, a felicidade não se opõe à razão, mas é a sua finalidade natural. Já alguns pensadores modernos consideram que a felicidade é obtida pelo prazer, seja ele qual for.

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3. A mensagem da beleza

Dificilmente vamos encontrar alguém que não goste de coisas bonitas. Todavia, Platão foi o primeiro a questionar porque gostamos delas. E ele achou um motivo muito interessante para isso: para o filósofo grego, coisas belas inspiram nos homens verdades importantes sobre eles mesmos e sobre a vida. 

Achamos coisas bonitas porque percebemos nelas qualidades que não temos e que faltam frequentemente em nossas vidas como, por exemplo, paz, harmonia e força. No final das contas, objetos bonitos tem a função essencial de ajudar a educar a alma humana.

4. Devemos pensar mais

Se havia algo que Platão não gostava era do bom senso. Ao longo dos seus 36 livros, ele demonstrou como boa parte do bom senso é carregado de superstições, falhas e preconceitos. 

Fica fácil entender os motivos do filósofo grego quando observamos que muitas opiniões populares e amplamente aceitas acabam levando ao surgimento de mais ignorância. Platão sugeria apostar na filosofia para não cair em armadilhas. Ou seja, as pessoas deveriam submeter seus pensamentos a um exame detalhado, em vez de agir por impulso. 

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