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'Teoria do mais tolo': como ela causa prejuízos financeiros?

Antes de explicarmos o que é a “teoria do mais tolo”, responda: você já teve a sensação de que todo mundo está ganhando dinheiro menos você? Existe aquele seu primo que investiu em bitcoin, o amigo que virou day trade ou aquele colega que está recrutando membros para um negócio que ele jura que não é uma pirâmide.

Quando não entendemos algo, é comum que confiemos em pessoas que aparentem conhecer mais sobre o assunto. O problema é que, em muitos casos, elas também sabem muito pouco sobre o que estão fazendo. É nesse tipo de cenário que grandes prejuízos financeiros podem ocorrer — prejuízos que podem destruir desde a poupança de uma família até a economia de um país.

Quando um tolo procura outro

(Fonte: PXHERE)(Fonte: PXHERE)

Em inglês, a “teoria do mais tolo” é conhecida como “Greater Fool Theory”. Ela é muito usada para explicar a compra de ações supervalorizadas. Contudo, ela pode nos ajudar a entender qualquer mercado, por exemplo: imagine que uma pessoa compra um terreno em uma cidade afastada, sem infraestrutura, pagando um preço acima do mercado.

Não precisa ser nenhum gênio para entender que esse comprador fez um mau negócio, certo? No entanto, ele ainda pode se dar bem desde que encontre alguém disposto a pagar mais pelo terreno. Será que isso é possível?

Suponhamos que um candidato a prefeito dessa cidade faça uma promessa de campanha sem pé e nem cabeça, como fazer um metrô ligando esse município à capital do estado. Uma obra dessa magnitude tende a valorizar os imóveis da cidade — isso, claro, se chegar a sair do papel. O candidato vence e os imóveis se valorizam. A partir daí, o comprador faz a festa vendendo o imóvel pelo dobro do que pagou. O novo comprador demorará alguns meses para perceber que o metrô não será feito, tendo que arcar com o prejuízo de vender o imóvel por muito menos do que ele pagou — isso se alguém ainda quiser comprar.

Agora, imaginemos o que isso causaria para essa pequena cidade que um dia atraía compradores de imóveis e no outro tem seus habitantes desesperados. A resposta é uma crise financeira. Você pode estar pensando que esse exemplo é exagerado e que ninguém seria tão tolo a ponto de não perceber que algo tão surreal estivesse prestes a acontecer. É aí que você se engana, situações tão absurdas acontecem diariamente no mercado financeiro.

“Teoria do mais tolo” e o mercado financeiro

(Fonte: B3)(Fonte: B3)

Muita gente acredita que o segredo para ganhar dinheiro no mercado de ações é comprar na baixa e vender na alta. Esse pensamento é bem limitado, mas ainda faz algum sentido. O que você talvez não saiba é que existem muitos compradores que preferem a segunda opção. Eles fazem isso com a esperança de conseguirem vender esses papeis por um valor ainda maior para compradores “ainda mais tolos”, ou seja: que entendam ainda menos do mercado.

Acontece que nem sempre esse tolo aparece e o investidor perde dinheiro com a queda das ações. Como estamos falando de empresas, isso pode impactar diretamente a economia, pois gera desempregos, dívidas com credores, redução de investimento, entre outros problemas.

Exemplos históricos da “teoria do mais tolo”

(Fonte: Pixabay)(Fonte: Pixabay)

Na Holanda do século XVII, o investimento mais lucrativo que existia era a tulipa. Quanto mais rara a flor, mais cara. É por isso que com o passar dos anos, muitos holandeses venderam seus bens para aplicar na compra de tulipas raras, formando uma bolha financeira que quebrou a economia do país.

No começo dos anos 2000, algo semelhante estourou nos EUA: era a bolha das “empresas.com” — negócios digitais que tinham valor de mercado elevado, mas que geravam pouco lucro. 

Em 2008, novamente nos EUA, a quebra do banco Leman Brothers, causada por uma bolha no mercado imobiliário, levou o mundo todo para um período de recessão — que foi especialmente cruel com países europeus como Portugal, Espanha e Grécia.

Como evitar os prejuízos?

(Fonte: Nappy)(Fonte: Nappy)

Segundo a lógica proposta pela “teoria do mais tolo”, podemos definir alguns passos essenciais para não perder dinheiro. O primeiro deles é evitar o chamado “efeito manada”, tomando cuidado com oportunidades milagrosas que estão atraindo muitas pessoas, pois nem sempre haverá espaço para todos lucrarem.

Também é importante tomar cuidado com as estratégias de marketing de empresas que precisam atrair investidores, como corretoras ou startups. Evite confiar em “gurus” que dizem que sabem de tudo. Se uma pessoa sabe de um segredo para ganhar dinheiro fácil, ela realmente compartilharia com outras milhões de pessoas?

Por fim, entenda quem lucrará caso você tenha prejuízo e a diferença entre “investir” e “apostar”: investimento leva tempo para trazer retorno. Ah! E, claro, o conselho mais óbvio: estude o mercado em que você quer investir sempre por meio de fontes confiáveis.

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