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Existem mesmo tantos neonazistas na Ucrânia?

No dia 24 de fevereiro, o presidente russo Vladmir Putin fez um discurso para anunciar o início de uma operação militar na Ucrânia. A justificativa dada por Putin para a invasão era a necessidade de neutralizar grupos neonazistas no país. Esses grupos estariam, segundo Putin, assassinando separatistas pró-Rússia, o que seria crime de genocídio.

Seriam os grupos neonazistas, então, um problema tão grande para a Ucrânia a ponto de justificar essa guerra? Por que grupos de extrema-direita se tornaram populares nesse país? Para entender essa situação, é necessário analisar fatos importantes da história ucraniana.

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(Fonte: Reuters)(Fonte: Reuters)

Existem grupos neonazistas na Ucrânia?

Em 2013, o povo ucraniano protestou contra a decisão do presidente Viktor Ianukovytch de se distanciar da União Europeia (UE), evitando que o país se tornasse membro do bloco um dia, visto que a Ucrânia era aliada de Moscou. Os protestos resultaram na queda de Ianukovytch e na formação de um novo governo. Durante esses protestos, grupos nazistas começaram a se manifestar nas ruas.

Em retaliação à queda de Ianukovytch, a Rússia invadiu a Ucrânia e tomou a região da Crimeia, em 2014. Naquele momento, grupos armados reagiram à invasão e lutaram contra os russos. Entre esses grupos, estavam milícias de extrema-direita, muitas delas nazistas. O exército ucraniano, então, incorporou essas milícias às suas forças armadas. Um desses grupos é o batalhão de Azov, abertamente neonazista e braço armado do chamado “movimento branco ucraniano”.

Em 2018, em entrevista ao The Guardian, Andriy Biletsky, líder do grupo, disse que a Ucrânia deveria "liderar as raças brancas do mundo em uma cruzada final contra ‘sub-humanos’ liderados por semitas.". Desde o início do novo conflito, o batalhão de Azov está treinando civis para lutarem contra a invasão russa.

Posicionamento da Ucrânia durante a Segunda Guerra Mundial

A Ucrânia foi uma das nações invadidas pelas tropas de Hitler, em 1941. Judeus ucranianos foram levados para campos de concentração e que cerca de um milhão morreram no holocausto. O número de ucranianos mortos na tentativa de combater os nazistas também impressiona: 5 milhões perderam suas vidas em campos de batalha.

Mesmo assim, uma parte dos ucranianos colaborou com o governo de Hitler. Essas pessoas se tornaram funcionários do regime e tiveram uma vida relativamente tranquila.

Stepan Bandera foi uma liderança política ucraniana que colaborou para que os nazistas invadissem a Ucrânia. Na visão dele, essa era uma forma do povo ucraniano se ver livre da URSS e conquistar sua independência. Naquele momento, milhões de ucranianos já haviam morrido de fome devido à política de Stalin.

No entanto, ao ver que a Ucrânia não se tornaria independente, Bandera se rebelou e acabou preso em um campo de concentração nazista. Depois de libertado, foi assassinado por um agente da KGB (serviço secreto soviético) em 1959. Sua figura, apesar de controversa, se tornou simbólica para grupos ultranacionalistas ucranianos.

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O que é verdade e o que é propaganda política?

(Fonte: Governo Ucraniano)(Fonte: Governo Ucraniano)

Palavras como “genocídio” e “nazismo” associam os europeus a memórias traumáticas e violentas — e, não por acaso, estão sendo usadas tanto por ucranianos quanto por russos. O governo ucraniano compartilhou uma charge comparando Putin a Hitler. Por outro lado, Putin justifica a guerra como necessária para combater neonazistas ucranianos.

Em entrevista à BBC, Amy Randall, historiadora especialista em Rússia, disse ser um exagero dizer que a Ucrânia é controlada por grupos nazistas, como sugeriu Putin, embora esses grupos existam. O presidente ucraniano atual, Volodymyr Zelensky, é judeu rebateu as acusações russas relembrando que seus antepassados foram vítimas da repressão nazista.

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