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Croata condenado por crimes de guerra comete suicídio em pleno tribunal

É sempre chocante quando uma pessoa comete suicídio — especialmente quando o atentado à própria vida acontece diante de uma plateia. O último a fazer isso foi o criminoso de guerra croata Slobodan Praljak, um antigo general que atuou no conflito entre a Bósnia-Herzegovina e a República Croata da Herzeg-Bósnia com o apoio da Croácia. O percalço durou de meados de 1992 até o início de 1994, e resultou na perseguição e morte de milhares de civis.

Segundo Isabel Ferrer, do portal de notícias El País, Praljak tinha 72 anos de idade e já havia sido condenado a 20 anos de prisão em 2013, e se encontrava diante do Tribunal Penal Internacional para a antiga Iugoslávia para ouvir a sentença de sua última apelação. Então, enquanto o veredito — de que ele a pena não seria suspensa — era recitado pelos juízes, o ex-militar gritou diante de todos que não era um criminoso e tomou um vidrinho de veneno.

Incredulidade

De acordo com as testemunhas, Praljak tirou o frasco do próprio bolso, bebeu todo o conteúdo diante dos olhos de todos e quem alertou os presentes de que se tratava de veneno foi a advogada do ex-general. O anúncio gerou uma enorme confusão entre os presentes — que assistiram a tudo incrédulos —, e a sessão que, também julgaria outros cinco réus, teve que ser suspensa. Assista à dramática cena a seguir:

Uma ambulância chegou a ser chamada, mas Praljak não resistiu à ação da substância e seu falecimento foi confirmado. O vidrinho que ele tirou do bolso foi enviado a um laboratório e as análises confirmaram que se tratava de veneno, e as autoridades instauraram uma investigação para determinar como o frasco foi parar nas mãos do ex-general.

Praljak e os demais criminosos — todos militares ou políticos que participaram ativamente no conflito — foram acusados e condenados por formar uma associação criminosa com o objetivo de criar uma grande nação croata por meio da limpeza étnica com foco na população muçulmana. Mais especificamente, o ex-general foi responsabilizado por ordenar o bombardeio de uma ponte otomana do século 16 na cidade de Mortar, situada na Herzegovina.

Slobodan PraljakSlobodan Praljak (Metro/Getty)

Essa estrutura ligava duas regiões da cidade e sua destruição causou imensas perdas junto à população muçulmana da região. Aliás, seu bombardeio acabou se transformando no símbolo dessa sangrenta guerra nos Balcãs. A sentença original de Praljak também mencionava os maus tratos sofridos pelos civis bósnios muçulmanos, em especial mulheres, crianças e idosos, que foram submetidos a condições desumanas e morreram nos campos de internamento criados durante o conflito.

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