Sorriso de Glasgow, a assustadora tortura das gangues escocesas

Método de tortura, forma de marcar rivais para sempre e assinatura da ação de gangues na região. Essas são algumas das formas de descrever uma agressão tradicional de criminosos na região de Glasgow, na Escócia, que ultrapassou fronteiras e até hoje assusta pelos resultados.

Trata-se do “sorriso de Glasgow”, um corte realizado com uma faca ou um pedaço de vidro no rosto de adversários de gangues na cidade europeia.  Ele é feito no prolongamento dos lábios da vítima, como se “aumentasse” na força o tamanho de um sorriso. 

Por causa dos métodos rústicos do golpe, feito com uma faca não muito afiada ou um pedaço de vidro, além dos próprios gritos de dor da pessoa, que acaba abrindo o corte, uma cicatriz é formada e deixa uma linha bastante visível nas bochechas.

Tempos de violência

Por trás do relato perturbador, há também uma origem histórica dessa técnica. A região da cidade de Glasgow passava por momentos complicados na década de 1920, com o auge da desigualdade social na região. Um polo industrial e portuário desde a Revolução Industrial, a capital não foi capaz de sustentar o crescimento.

A chegada de imigrantes a partir de 1930 aumentou ainda mais a população desempregada, ampliando a pobreza e a taxa de crimes em alguns bairros. A falta de policiamento suficiente e a ação de grupos que agiam por conta própria levou à criação de gangues que protegiam certas comunidades em troca de pagamentos e favores.

Os Billy Boys
Os Billy Boys

Junto com os serviços prestados, eles eram também conhecidos pela violência e a rivalidade entre si. Até pela falta de equipamentos adequados, os criminosos usavam lâminas como armas — desde instrumentos de barbear e facas até cacos de vidro. 

Os Norman Conks, ou “conquistadores de Norman”, eram uma das mais proeminentes gangues católicas — e se envolviam em brigas constantes inclusive por motivos religiosos contra outro grupo, os protestantes Billy Boys de Bridgeton — nome reconhecido por fãs da série “Peaky Blinders”.

Foi apenas com a ação do chefe de polícia Percy Sillitoe, que a partir de 1931 assumiu o cargo de comissário na cidade, que as gangues foram aos poucos desmanteladas.

A expansão do sorriso

Apesar do controle das gangues escocesas, outros territórios passam a registrar a prática em crimes. O político fascista William Joyce, que foi condenado à pena de morte na Inglaterra em 1945, tinha uma evidente cicatriz na forma do sorriso de Glasgow em um dos lados da face. 

William Joyce
William Joyce

Na década de 1970, hooligans e gangues da região industrial da Inglaterra também adotaram o corte, trocando o nome para a própria localidade: “sorriso de Chelsea”.

Até mesmo a cultura pop se aproveitou da história envolvendo esse método de tortura. Especialmente na versão dos cinemas de “Batman: o Cavaleiro das Trevas”, quando foi interpretado por Heath Ledger, o vilão Coringa aparece com uma marca no estilo do sorriso de Glasgow — tanto que um de seus bordões é perguntar às vítimas se elas querem saber como ele conseguiu a cicatriz, contando uma história diferente a cada oportunidade.

Coringa.
Coringa.

A creepypasta Jeff the Killer também envolve a prática, com a diferença de que o próprio assassino sobrenatural teria aumentado o sorriso usando uma faca.

Além disso, um famoso assassinato também apresenta elementos que podem remeter à tortura em questão: a morte de Elizabeth Short, mais conhecida como o caso Dália Negra. O corpo da vítima incluía um corte que seguiu a linha dos lábios até as orelhas — sem comprovação de inspiração nas gangues escocesas, mas com uma mórbida semelhança.

Tommy Flanagan
Tommy Flanagan

Já no cenário da vida real, o ator Tommy Flanagan, que interpretou o personagem Chibs em Sons of Anarchy, tem o rosto realmente marcado por cicatrizes que incluem um “sorriso de Glasgow. Ele e escocês e foi atacado por uma gangue enquanto trabalhava como DJ em uma casa noturna antes da carreira na televisão.

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