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Mary McElroy: por que a mulher defendeu seus sequestradores?

Era 27 de maio de 1933, quando a jovem de 25 anos, Mary McElroy, filha do juiz Henry F. McElroy, foi sequestrada de sua casa enquanto tomava banho, na cidade do Kansas, no Missouri.

Dois homens mascarados e armados com espingardas forçaram a jovem a deixar a banheira e segui-los. Mary parecia tranquila demais, pois chegou a zombar dos criminosos quando foi informada de que seu resgate seria de US$ 60 mil, dizendo que “valia mais do que isso”. A quadrilha era liderada pelo ex-presidiário divorciado chamado Walter McGee, tendo seu irmão George, Clarence Click e Clarence Stevens como seus comparsas.

Mary foi levada para seu cativeiro em uma fazenda em Shawnee, no Kansas, que era propriedade de Click, e onde ela foi acorrentada a uma parede no porão. Depois de pedirem o resgate, a quadrilha chegou ao acordo de US$ 30 mil pela vida da jovem, que foi pago em 29 de maio.

A empatia de uma vítima

(Fonte: The Pendergast Years/Reprodução)(Fonte: The Pendergast Years/Reprodução)

A jovem foi libertada em seguida, após 29 horas em cativeiro. Quase 1 mês depois do sequestro, Walter McGee foi preso em Amarillo, no Texas, após tentar comprar um carro com o dinheiro do sequestro. A polícia conseguiu recuperar apenas US$ 9 mil da quantia original.

Apesar de Mary ter voltado para casa ilesa e seus sequestradores estarem sendo presos um por um, o problema estava apenas começando.

O julgamento dos criminosos, que ocorreu na cidade de Jefferson City, ganhou ampla divulgação na mídia, e foi apenas esquentando, principalmente com as declarações de Mary. A jovem se mostrou envergonhada e com medo, muito diferente de sua personalidade. Ela não falou nada que pudesse incriminar os réus, muito pelo contrário, apenas reforçou que eles foram cuidadosos no pouco tempo em que foi mantida em cativeiro.

(Fonte: The Pendergast Years/Reprodução)(Fonte: The Pendergast Years/Reprodução)

Para a surpresa de todos, ela foi muito empática e chegou a demonstrar até dificuldade para identificar seus sequestradores, o que foi lido como uma tentativa em livrá-los das sentenças.

Em 30 de março de 1935, Walter McGee foi condenado à pena de morte por enforcamento, a primeira vez que uma condenação foi tão severa nos Estados Unidos por sequestro. Seu irmão George foi condenado à prisão perpétua, enquanto os demais receberam 8 anos cada.

Henry McElroy ficou satisfeito com a decisão, mas sua filha não. Mary entrou em um estado profundo de depressão, incapaz de aceitar a ideia de McGee ser executado. Em 30 de abril, ela escreveu ao governador Guy Brasfield Park implorando para que a pena fosse comutada. Isso causou um frenesi na mídia, que sugeriu que a jovem teria tido um relacionamento amoroso com McGee, apesar das negativas dela, e o caso se tornou uma grande polêmica. 

Ela sempre deixou claro que não ficaria em paz em vê-lo morto.

O desespero de Mary

(Fonte: ICHI/Reprodução)(Fonte: ICHI/Reprodução)

Park acatou o pedido de Mary e mudou a sentença de McGee para prisão perpétua. A opinião pública a destruiu, mas como não podiam atingi-la diretamente, mudaram o foco para seu pai, que havia apoiado sua decisão publicamente. Ele foi forçado a renunciar ao cargo de administrador municipal em 13 de abril de 1939, e morreu em 15 de setembro do mesmo ano.

Mary nunca conseguiu se recuperar emocionalmente do que aconteceu ao pai, tampouco aos seus sequestradores, tanto que os visitava semanalmente. A mídia também não parou de pressioná-la nem por um segundo, tentando extrair um envolvimento com McGee durante seu sequestro muito curto.

Incapaz de aguentar, Mary McElroy suicidou-se em 20 de janeiro de 1940, pondo um fim em seu sofrimento. No entanto, isso só gerou mais mídia, que passou a querer saber o que aconteceu durante aquelas 29 horas em que a jovem ficou em cativeiro.

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