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Jasper Maskelyne: o mágico que enganou a todos na 2ª Guerra Mundial

Nascido em 29 de setembro de 1902, em Londres (Inglaterra), Jasper Maskelyne já fazia parte da nata do mundo do entretenimento, pois seu avô John Nevil Maskelyne era um dos mágicos de palco mais famosos da Grã-Bretanha, tendo feito fortuna também como o inventor dos primeiros banheiros pagos e por patentear uma linha de máquinas de escrever.

Maskleyne seguiu os passos de seu avô e chocou plateias com seus truques de ilusionismo até o auge dos seus 38 anos, quando começou a adaptar suas habilidades para trabalhar com a inteligência militar britânica conforme a sombra da Segunda Guerra Mundial começou a surgir nos céus da Grã-Bretanha.

Na verdade, o exército foi a solução que o mágico encontrou para seus problemas financeiros, visto que a má administração da fortuna da família, depois que o público desapareceu por causa da guerra, custou-lhe todos seus ativos e até a venda do grande teatro comprado por seu avô no início de 1930.

Os truques de um ilusionista

(Fonte: Scoop Whoop/Reprodução)(Fonte: Scoop Whoop/Reprodução)

Em 14 de outubro de 1940, Maskelyne apresentou-se ao Exército Britânico para tentar ingressar como oficial, porém foi rejeitado. Logo em seguida, ele conseguiu convencer os engenheiros reais a arriscar contratá-lo, mas acabou fracassando em seus primeiros dias e foi enviado para treinamento no Centro de Desenvolvimento e Treinamento Experimental de Camuflagem, em Surrey, onde ficou encarregado de desenvolver dispositivos e métodos de disfarces para ajudar os soldados em batalha.

Após conquistar a simpatia do inspetor-geral, Maskelyne foi enviado para uma missão no Cairo em 1941, onde desenvolveu pentes com lâminas de serra para cortar janelas gradeadas, mapas escondidos em cartas de baralho e tacos com ferramentas embutidas.

(Fonte: Pinterest/Reprodução)(Fonte: Pinterest/Reprodução)

Em campo aberto, como no deserto, com a Luftwaffe facilmente podendo localizar qualquer tipo de movimentação de veículos e artilharia, o mágico usou uma estrutura de madeira coberta com tela pintada para fazer um caminhão de armamento se passar por um tanque de abastecimento para os bombardeiros alemães. Chamado de "escudos solares", o plano de Maskelyne funcionou bem e passou a ser adotado por todo o norte da África.

Em seu livro de memórias Magic: Top Secret, o homem disse que passou a confundir os alemães disfarçando uma pequena cidade costeira usando construções simuladas, navios falsos e luzes, como Paris tentou fazer na Primeira Guerra Mundial. Essa cidade teria enganado os nazistas e protegido o porto de Alexandria. 

Um de seus projetos mais ambiciosos descritos por ele teria sido os holofotes cercados por espelhos a fim de desorientar os pilotos inimigos. As luzes colocadas ao longo de 190 quilômetros no deserto também teriam tornando o Canal de Suez invisível, fazendo os bombardeiros alemães atacarem o alvo errado por várias noites.

O grande mentiroso

(Fonte: Pinterest/Reprodução)(Fonte: Pinterest/Reprodução)

Contudo, boa parte do que o grande mágico Jasper Maskelyne disse ter inventado em seus anos no exército não passam de mentiras. De acordo com os registros oficiais da Unidade Experimental de Camuflagem, seu escudo solar não passou de uma falha estrutura de aço, e sua cidade fictícia sequer teve alguma eficácia. 

No final das contas, o Exército Britânico salientou que Maskelyne mais contribuiu com shows para entreter as tropas do que ideias para combate, à exceção da Operação Bertram, que ele conseguiu enganar com sucesso o Afrika Korps.

O mágico deixou o Exército em 1946, falecendo em 15 de março de 1973 como o "herói desconhecido da Segunda Guerra Mundial no norte da África". Por muitos anos, suas narrativas recheadas de fantasias foram motivos de idolatria e permaneceram verdadeiras enquanto os registros sobre inteligência e fraude do governo permaneceram secretos.

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