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Gordon: a chocante fotografia que expôs a escravidão nos EUA

Na primavera de 1863, em meio a Guerra de Secessão nos Estados Unidos, o Batalhão XIX do Exército da União, que marchava pelo território de Baton Rouge, na Louisiana, se deparou com um homem negro esfarrapado e cansado.

O nome dele era Gordon, um escravizado que havia fugido da Paróquia de St. Landry e de seus donos John e Bridget Lyons, responsáveis por manter em cativeiro mais de 40 outros seres humanos. Ele conseguiu escapar depois que recebeu tantas chibatadas que ficou em uma espécie de coma por 2 longos meses.

Quando conseguiu se levantar da cama, ele decidiu que fugiria de sua prisão e lutaria pelas tropas da União (que era o único futuro de liberdade para os escravizados). Ele então atravessou todo o terreno rural da Louisiana com diversas cebolas penduradas pelo corpo, pois assim se livraria dos cães de caça que o perseguiam. 

Gordon levou 10 dias e 128 quilômetros para poder alcançar as tropas da União.

O retrato da maldade

(Fonte: Pinterest/Reprodução)(Fonte: Pinterest/Reprodução)

Assim que Gordon se alistou no Exército da União, sua história se espalhou e atraiu a atenção dos fotógrafos William D. McPherson e Sr. Oliver, de Nova Orleans. Eles eram especialistas na produção de cartões de visita e pequenas fotografias impressas em massa a baixo custo para a popularização das fotografias.

Na primeira captura, McPherson fotografou Gordon sentado, esfarrapado e com os pés descalços, olhando fixamente para a lente da câmera. Na segunda foto, ele foi pedido para que retirasse a camisa e se sentasse de costas, mostrando o desenho brutal de cicatrizes em relevo que o chicote havia deixado em sua pele.

(Fonte: Metropolitan Museum of Art/Reprodução)(Fonte: Metropolitan Museum of Art/Reprodução)

A fotografia entrou para a história como a síntese de um sistema que desumanizava as pessoas negras pelo simples fato de existirem na sociedade, reforçando a necessidade de que aquela guerra era para acabar com a instituição da escravidão.

A imagem foi publicada pela primeira vez na edição de julho daquele ano da revista Harper’s Weekly, que disseminou para o norte dos Estados Unidos os horrores de quem era tratado como lixo, e serviu para humanizar os escravizados e mostrar aos brancos o óbvio: que os negros são pessoas, não propriedade.

Gordon conseguiu assinar seu nome nos registros regimentais da Segunda Infantaria da Guarda Nativa da Louisiana assim que o Departamento de Guerra emitiu a Ordem Geral N.º 143, que autorizava os escravizados libertos a participarem do Exército. Estima-se que quase 25 mil escravizados se juntaram à luta para pôr um fim na escravidão que já durava 200 anos.

Infelizmente, o que aconteceu com Gordon depois que entrou na guerra é indefinido. Os historiadores não sabem quando ou como ele morreu, apenas que sua força e determinação foram essenciais para causar pequenas ondas no oceano de preconceito e paralisia social diante da monstruosidade de uma prática secular que era normalizada.

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