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Esquema de Ponzi: a fraude precursora das 'pirâmides financeiras'

Em meados de 1906, a União Postal Universal Internacional criou os denominados Cupons de Resposta Internacional (IRC), cujo objetivo era permitir que alguém em qualquer país enviasse uma correspondência e pudesse usá-los para custear o frete de resposta.

Os IRC eram cobrados com base no custo da postagem no país de compra, mas podiam ser trocados por selos para cobrir o custo da postagem no país onde foram resgatados. E se esses valores diferissem, havia um lucro em potencial.

O fim da Primeira Guerra Mundial diminuiu o custo em dólares de uma postagem na Europa, de modo que era possível comprar cupons mais baratos nos países europeus e trocá-los por selos mais caros nos Estados Unidos – ou então vendê-los.

Naquele verão de 1919, o italiano Charles Ponzi, de seu escritório em Boston, encontrou uma fraqueza no sistema ao receber um IRC pela primeira vez, descobrindo que poderia fazer dinheiro disso.

O esquema milionário

(Fonte: Mondi/Reprodução)(Fonte: Mondi/Reprodução)

Ponzi percebeu que, se conseguisse descobrir uma maneira de negociar os cupons em grande quantidade, poderia enriquecer comprando e os revendendo. Para seus investidores, ele afirmou que o lucro líquido dessas transações, após despesas e taxas de câmbio, seria superior a 400%.

Ponzi convenceu alguns de seus amigos em Boston a investirem no que ele mesmo chamava de "Esquema de Ponzi", prometendo-lhes lucro de 50% em até 45 dias. E assim aconteceu, com os investidores recebendo até US$ 750 de juros sobre aplicações iniciais de US$ 1.250.

Conforme sua popularidade e número de investidores crescia, os inspetores postais investigaram as vendas de cupons em todo o mundo, descobrindo que elas não eram altas o suficiente. Eles tinham certeza de que o que Ponzi fazia era ilegal, mas não podiam prendê-lo por fraude porque aina ninguém se queixava de ter sido enganado.

A queda da pirâmide

(Fonte: ComputerImages/Reproduçâo)(Fonte: ComputerImages/Reproduçâo)

Tudo mudou em 26 de julho de 1920, quando uma matéria no jornal questionou a validade de suas operações, e Ponzi convocou uma reunião com as autoridades federais, estaduais e locais para examinarem seus livros. Para mostrar como cooperava com a operação, ele sugeriu interromper os investimentos durante toda a auditoria – e esse foi seu maior erro.

No dia seguinte, o homem foi bombardeado por investidores furiosos exigindo seu dinheiro de volta, temendo que Ponzi tivesse enganado a todos do dia para noite. Ele foi incapaz de pagar o que perdeu para não ir preso durante a auditoria, com muitos retirando seu dinheiro do esquema de pirâmide.

Ponzi foi acusado de usar os correios em um esquema de fraude, e em novembro daquele ano se declarou culpado e foi condenado a 5 anos de prisão.

Em 7 de outubro de 1935, Charles Ponzi foi deportado para a Itália após anos de idas e vindas da prisão. Apesar de ele ter falecido em 18 de janeiro de 1949 na completa miséria, os moldes de seu esquema permanecem até hoje.

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