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Shizo Kanakuri: o atleta que 'desapareceu' no meio de uma corrida

Em julho de 1912, mais de 18 mil espectadores se reuniram no Estádio Olímpico de Estocolmo, na Suécia, para assistir a uma maratona. Porém, o que era para ser um dia de festejos rapidamente tornou-se um evento estranho e, dos 68 corredores esperados para a exibição, apenas 36 apareceram, com o restante desistindo horas antes da largada e um deles, o japonês Shizo Kanakuri, simplesmente desapareceu.

Shizo foi um dos únicos atletas representantes do Japão convocados para a quinta Olimpíada, em Estocolmo, e marcou a primeira participação nipônica na competição. Na época, com apenas 20 anos de idade, o atleta movimentou torcidas inteiras pelo seu país e era visto como um nome promissor, mas os fãs não estavam nem um pouco preparados para o que seu ídolo iria enfrentar.

Durante a viagem para a Suécia, o corredor enfrentou temperaturas extraordinariamente quentes e uma péssima dieta alimentar, algo que impactou diretamente seu desempenho e sua estabilidade mental. A falta de condições e o desgaste físico o levaram a perder as esperanças em suas habilidades e, a meio caminho da corrida, já no dia em que se mostraria para o mundo, Kanakuri tomou a decisão de abandonar a prova.

(Fonte: The Run - Twitter / Reprodução)(Fonte: The Run - Twitter / Reprodução)

Exausto e morrendo de calor, Shizo foi reconhecido por uma família sueca durante o caminho para o Estádio Olímpico de Estocolmo e foi ajudado, ganhando pães, suco e um lugar para descansar. Após relaxar e se recuperar parcialmente, o atleta retornou calmamente à sua hospedagem olímpica e viajou de volta ao Japão, mas acabou esquecendo de alertar os funcionários do evento e foi dado como desaparecido, com milhares de fãs esperando-o ansiosamente na arena.

A redenção do maratonista

Ao voltar para o Japão, Kanakuri voltou a competir e a estabelecer recordes, tornando-se referência no atletismo e chegando a ensinar jovens corredores. Sua história serviu de inspiração não apenas para quem estava entrando no mundo esportivo, mas também para a própria imprensa sueca, que estampou seu rosto em tabloides e o transformou em herói em meados de 1953, ano em que foi técnico de Keizo Yamada, campeão da Maratona de Boston.

(Fonte: Wikimedia Commons / Reprodução)(Fonte: Wikimedia Commons / Reprodução)

Transformado em lenda pelo país do leste europeu e conhecido como o "japonês que desapareceu", Shizo foi convidado, em 1967, para retornar ao Estádio Olímpico de Estocolmo e finalmente cruzar a linha de chegada, em um evento que seria transmitido para todo o planeta. Assim, o feito lhe renderia mais tarde uma página do Guinness World Record com o título de "maior tempo para completar uma maratona", encerrando o percurso em 54 anos, 249 dias, 5 horas, 32 minutos e 20,3 segundos.

(Fonte: Pinterest / Reprodução)(Fonte: Pinterest / Reprodução)

Kanakuri viveu até 1983, quando morreu aos 92 anos. Seus feitos épicos lhe renderam um museu na cidade de Nagomi e uma homenagem na maratona de revezamento entre Tóquio e Hakone. "Tem sido uma corrida longa, mas então eu tenho uma esposa, seis filhos e 10 netos durante ela, e isso leva tempo, você sabe", concluiu o atleta, logo após encerrar sua corrida histórica.

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