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Ginastas alemãs protestam contra a sexualização no esporte

A equipe de ginástica feminina da Alemanha chamou a atenção ao entrar para a disputa das eliminatórias da categoria na Olimpíada de Tóquio, nesse domingo (25), usando roupas de corpo inteiro. A peça substituiu o tradicional collant, que só costuma ser trocado por motivos religiosos.

Mas a escolha das ginastas alemãs não foi motivada pela religião. Elas optaram por usar os macacões, que se estendem até os tornozelos, para protestar contra a sexualização das mulheres no esporte que tem sido marcado por escândalos de abuso sexual nos últimos anos.

O protesto do time que conta com as ginastas Sarah Voss, Elisabeth Seitz, Pauline Schaefer-Betz e Kim Bui também objetiva promover a liberdade de escolha e ajudar as atletas mais jovens a se sentirem mais seguras. “Queremos ter certeza de que todas se sintam confortáveis e possam usar o que quiserem”, explicou Voss à Reuters.

(Fonte: Instagram/Pauline Schäefer)(Fonte: Instagram/Pauline Schäefer)

Esta não foi a primeira vez que a equipe se posicionou contra a sexualização no esporte. Durante o Campeonato Europeu de Ginástica, em abril, as alemãs já haviam desafiado as convenções ao usar o macacão e cobrir as pernas, gesto repetido nos treinamentos que antecederam a estreia nos Jogos Olímpicos do Japão.

Concorrentes não aderem ao protesto

Por enquanto, a equipe de ginástica feminina da Alemanha foi a única a trocar o collant pelos macacões. A atitude parece dividir as competidoras, mas elas ganharam o apoio de estrelas do esporte, como a ginasta americana Simone Biles.

Fenômeno da ginástica, Biles disse, no mês passado, que opta pela peça convencional porque o collant a faz “parecer mais alta”. Embora prefira o modelo criticado pelas colegas europeias, a representante dos Estados Unidos ressaltou que apoia o protesto.

(Fonte: Instagram/Sarah Voss)(Fonte: Instagram/Sarah Voss)

Mas se o movimento ainda não ganhou força entre as ginastas, ele já repercutiu em outras modalidades. Um exemplo recente é o da seleção feminina de handebol de areia da Noruega, que optou pelo uso de shorts no lugar dos biquínis em uma partida da Eurocopa da categoria.

A atitude rendeu uma multa equivalente a R$ 9 mil aplicada pela Federação Europeia de Handebol. A punição gerou revolta nas redes sociais e levou a cantora P!nk a se oferecer para pagar a multa das jogadoras.

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