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Sereias existem? Entenda como o misterioso mito se tornou tão popular

Criatura metade peixe, metade humana que habita no imaginário e na cultura popular, as sereias fazem parte de diversos folclores ao redor do mundo, especialmente na Europa, Ásia e África. Mas se a pergunta é se sereias existem, afirmamos categoricamente que elas não são reais.

Sua concepção moderna é influenciada pelas sirenes, criaturas meio-pássaros, da mitologia grega. Estudiosos acreditam que a influência cristã pode ter resultado na mudança não tão sutil de criatura metade ave para metade peixe. Mas o que transformou as sereias nessas criaturas tão populares, alvo de tantos contos e estudos? Vamos te contar!

Não são reais, mas são significativas

(Fonte: Wikimedia Commons)(Fonte: Wikimedia Commons)

Ainda que não sejam reais, as sereias existem em outro lugar muito importante: no imaginário coletivo. Como parte integrante do folclore de culturas mundo afora, registros apontam que as primeiras histórias sobre elas estariam intimamente ligadas à mitologia grega, datadas com mais de 3.000 anos.

Assim como outras criaturas dessa mitologia, esses seres teriam parte humana e parte animal. No entanto, a contínua representação desse ser e a forma como seu mito se popularizou em diferentes partes do mundo revelam um quadro mais complexo. A depender de quem fale sobre sereias, elas podem ser belas, sedutoras e até maternais, assim como podem ser monstruosas, cruéis, manipuladoras e sanguinárias.

A era das Grandes Navegações impulsionou a má impressão, com as sereias encarnando os medos que marinheiros tinham do mar. O receio do desconhecido acabava sendo centrado em figuras míticas, cujos relatos no período são abundantes, encontrados até mesmo em escritos de Cristóvão Colombo. Contudo, o consenso na comunidade científica é que todos esses avistamentos eram, provavelmente, de peixes-boi e outros mamíferos aquáticos, como focas.

As sereias e o medo do desconhecido

(Fonte: Wikimedia Commons)(Fonte: Wikimedia Commons)

Apesar dos relatos históricos sobre os seres mitológicos e a presença constante das sereias em histórias folclóricas de tantos países e continentes distintos, os historiadores aceitam que essas fábulas representam a forma que as pessoas encontravam de explicar o que não conseguiam entender.

Para navegadores, por exemplo, aceitar que sereias existiam era uma maneira que os ajudava a compreender seus sonhos, desejos e medos. É preciso ter em mente que as Grandes Navegações ocorrem a partir do século XV e que os trajetos feitos, até então, eram menores, envolvendo apenas o que já lhes era conhecido.

Quando a ideia de desbravar regiões desconhecidas vai surgindo ao longo da história humana, também surgem essas interpretações sobre o que não entendiam, como animais que não habitavam as regiões de onde originavam aqueles navegadores. Por essa razão, encontramos representações que vão desde algo encantador, até idealizações assustadores.

As diferentes interpretações sobre as sereias

(Fonte: Shutterstock)(Fonte: Shutterstock)

A primeira passagem histórica que nos fazer questionar a existência das sereias foi o poema épico de Homero, a Odisseia (IX-VII a.C.), quando Ulisses encontra uma forma de atravessar a "ilha das sereias" e escapar desses malignos seres. De lá para cá, por todo o mundo, ganharam diferentes interpretações, quase como se houvessem diferentes espécies. 

Um dos atributos que difere, a depender da cultura, é sua personalidade. Na Irlanda, por exemplo, são chamadas de merrows, e seus primeiros registros datam mais de 1.000 anos atrás. No folclore irlandês, os merrows eram considerados sinais de má sorte.

Na cultura japonesa, a ningyo é uma sereia cujo corpo é predominantemente de um peixe, somente com o rosto humano. Na Europa, havia a lenda das melusinas, uma espécie de sereia que possuía duas caudas de peixe. Na literatura, foram mostradas como seres que almejavam se tornar humanos. Em alguns países europeus, como a Polônia, chegaram a ser símbolos de poder e riqueza.

As sereias e a Disney

(Fonte: Walt Disney Studios/Reprodução)(Fonte: Walt Disney Studios/Reprodução)

Lançado em 1989, A Pequena Sereia foi o 28º filme de animação da Disney, o primeiro feito no período conhecido como o "renascimento" da empresa. A inspiração para a obra é o conto de fadas de mesmo nome criado por Hans Christian Andersen. O autor dinamarquês publicou a obra narrando a jornada de uma jovem sereia disposta a renunciar a sua vida no mar para se tornar humana. 

O conto foi publicado em uma coletânea infantil no ano de 1837, se tornando um dos trabalhos mais famoso do autor. Além disso, A Pequena Sereia rendeu a Andersen o prestígio de um prêmio homônimo destinado a contos infanto-juvenil, em sua homenagem — considerado o "Prêmio Nobel da literatura infanto-juvenil".

Trecho do manuscrito original de A Pequena Sereia. (Fonte: Wikimedia Commons)Trecho do manuscrito original de A Pequena Sereia. (Fonte: Wikimedia Commons)

Esse interesse acadêmico em interpretar os temas que tangem a obra, bem como as extensas discussões sobre as escolhas do autor, ajudaram a torná-la icônica. Tanto é que, antes mesmo da Disney decidir levá-la aos cinemas, A Pequena Sereia foi adaptada para teatro, balé e ópera. Na capital da Dinamarca, Copenhage, há uma de sereia em homenagem ao clássico.

A animação da Disney ajudou a fortalecer o mito e a perpetuar a obra no imaginário coletivo, convertendo a história em mais de US$ 100 milhões de bilheteria apenas nos Estados Unidos. Além disso, venceu duas estatuetas do Oscar, com "melhor canção" e "melhor trilha sonora original".

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