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3 hábitos considerados peculiares na Era Vitoriana

De bonecas de luto a tintas com arsênico, o período vitoriano não deixou a desejar no quesito peculiaridades. Até mesmo para se divertir, as pessoas daquela época conseguiam ser excêntricas, por vezes beirando o obscuro.

Na Era Vitoriana, a qualidade de vida e o bem-estar eram tão importantes quanto a religião, visto que o trabalho pesado era uma das bases fundamentais para as noções de melhoria e progresso — não foi por acaso que a Revolução Industrial dominou o globo através das redes comerciais.

Enquanto isso, no pouco tempo livre que tinham para aproveitar um pouco da vida, os vitorianos se deleitavam em atividades pitorescas como essas três listadas abaixo. Continue lendo!

1. Piqueniques em cemitérios

(Fonte: St. Luke's Historic Church & Museum)(Fonte: St. Luke's Historic Church & Museum)

Você não leu errado. Para os vitorianos, os cemitérios não representavam um lugar de agouro, tampouco inspiravam uma atmosfera sombria, ainda mais porque desde o nascimento aprendiam a conviver com o fantasma da morte devido à alta taxa de mortalidade do século.

Além disso, a morte era enaltecida e vista como um dos momentos mais importantes, principalmente o pós-morte. Um enterro era o que havia de mais sagrado, por isso as famílias pobres guardavam dinheiro literalmente até o fim da vida para terem uma cerimônia luxuosa e digna no único momento que se "igualariam" aos abastados.

(Fonte: Boulder Daily Camera/Reprodução)(Fonte: Boulder Daily Camera/Reprodução)

No entanto, os cemitérios não só eram um lugar de paz e calmaria, como também a opção mais próxima de um parque público em uma época em que o planejamento urbano valorizava os espaços verdes para construir os cemitérios.

Então era comum ver uma família enterrando um ente querido próximo a um grupo de pessoas comendo ao ar livre entre as lápides, brincando com os filhos e tomando sol.

2. Joias de cabelo humano

(Fonte: Minnesota Historical Society)(Fonte: Minnesota Historical Society)

Quando não estavam em meio às lápides, as mulheres vitorianas poderiam estar em casa confeccionando joias feitas de cabelo humano. Quem começou o movimento foi a rainha Vitória que, após a trágica morte do príncipe Albert, em 1861, passou a andar com um colar adornado com mechas de cabelo de seu amado.

Ainda que o hábito de confecção não seja oriundo do século XIX, os vitorianos foram os responsáveis por elevarem a prática para outro patamar, transformando as mechas em acessórios que poderiam beirar o luxo.

Brincos, pulseiras, broches, anéis e medalhões. Tudo o que você poderia imaginar como acessório era feito de cabelo humano de familiares falecidos, e as pessoas carregavam como uma espécie de lembrete e amuleto.

(Fonte: Wellcome Images/Wikimedia Commons)(Fonte: Wellcome Images/Wikimedia Commons)

A tendência se tornou tão forte que atravessou o Atlântico, indo parar no pescoço das mulheres cujos maridos ou familiares pereceram durante a Guerra Civil Americana. Como observou uma matéria da revista Smithsonian Magazine: "Em uma época de crescente mercantilismo, a prática se tornou uma forma de sinalizar a sinceridade e, paradoxalmente, manter o estilo".

Instituições como o Museu de Anatomia Mórbida se especializam na preservação de joias feitas de cabelo.

3. Falar com os mortos

(Fonte: Hulton-Deutsch Collection/Corbis/Getty Images)(Fonte: Hulton-Deutsch Collection/Corbis/Getty Images)

Se a morte era considerada uma verdadeira companhia para os vitorianos desde o primeiro dia, se comunicar com aqueles que partiram era um hábito mais do que normal, sobretudo quando a Europa passava pela transformação do Espiritismo de Allan Kardec.

Através dos fenômenos chamados "mesas girantes", as pessoas se reuniam ao redor de mesas para realizar sessões de contato espiritual, em que cartas eram escritas por médiuns em transe e fotografias mediúnicas poderiam ser capturadas.

Segundo o New Yorker, estima-se que mais de 11 milhões de pessoas foram identificadas como espíritas durante o século XIX, entre elas a rainha Vitória e o notório escritor Arthur Conan Doyle.

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