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'Vitamina da Cultura': o projeto dinamarquês para tratar depressão

É de conhecimento geral que a depressão é um problema seríssimo no mundo todo. Segundo a OMS, a depressão está a caminho de se tornar a doença mental mais incapacitante que existe. Por isso, muitas estratégias são usadas para lidar com esta questão.

Uma das ideias de tratamento mais intrigantes vem sendo executada na Dinamarca e é apelidada de "vitamina da cultura". O projeto, que se chama Kulturvitaminer, envolve uma série de atividades culturais que são oferecidas a grupos de pessoas com depressão, ansiedade e estresse excessivo.

Implementado em quatro cidades dinamarquesas, o Kulturvitaminer dura dez semanas, período em que os participantes envolvem-se, três vezes por semana, em atividades musicais, passeios na praia, teatro, visitas a museus, sessões de leituras, entre outras.

A cultura como remédio

(Fonte: Kulturvitaminer/Divulgação)(Fonte: Kulturvitaminer/Divulgação)

A ideia do programa é atender as pessoas a partir de múltiplas abordagens. O primeiro ponto é tentar tirar os indivíduos da situação de isolamento que a depressão e a ansiedade costumam acarretar. Eles precisam sair de casa para um compromisso que não é uma consulta médica.

Mikael Odder Nielsen, líder do programa, explicou a lógica do Kulturvitaminer. “Se você está deprimido, a cultura é frequentemente a primeira coisa com a qual você não se incomoda. Meu papel é acostumá-los a esse mundo novamente, ou mesmo introduzi-lo pela primeira vez”, disse ao The Guardian.

Lançada pela primeira vez em 2016, a iniciativa dinamarquesa já atendeu mais de 300 pacientes — muitos deles, vindos de centros de trabalho. A maioria deles é composta por mulheres entre 30 e 40 que, por estarem desempregadas, tiveram sua depressão agravada.

Os resultados do projeto

(Fonte: Kulturvitaminer/Divulgação)(Fonte: Kulturvitaminer/Divulgação)

Os efeitos do Kulturvitaminer já estão sendo analisados por pesquisadores da saúde mental. Eles observam que um dos primeiros benefícios trazidos é a sensação de pertencimento a um grupo, que faz com as pessoas atendidas saiam de um círculo vicioso de isolamento que as afunda ainda mais na depressão.

Os ganhos observados em uma investigação feita entre 2016 e 2019 foi o aumento do nível de energia, aumento da autoestima, diminuição de ataques de pânico e melhora no autocuidado dessas pessoas. Alguns participantes disseram que se sentiram mais prontos para voltar ao mercado de trabalho depois da experiência.

Os relatos de quem foi atendido pelo Kulturvitaminer são bastante animadores. Evy Mortenson, de 49 anos, estava desempregada e foi encaminhada ao projeto por meio de um centro de empregabilidade. “Assim que entrei na reunião de boas-vindas, senti uma sensação de alívio. Foi uma experiência compartilhada e não havia expectativas, estávamos todos lá juntos em um espaço livre de julgamentos”, declarou ao The Guardian.

Ela complementa indicando a iniciativa para outras pessoas. "Gostaria de ver o mundo inteiro tomando suas "vitaminas culturais". Não sou a mesma pessoa que era quando comecei este processo. Agora ouço música clássica todos os dias, encontro meu grupo de cultura para passeios, mesmo que nosso programa de 10 semanas tenha terminado, e tenho uma rede de apoio com novos interesses. Até me candidatei a um emprego em um museu de arte", contou.

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