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Por que temos a impressão de que as rodas dos carros giram ao contrário?

Você já assistiu a algum filme no qual um carro aparece se deslocando rapidamente e, de repente, a impressão é de que, embora o veículo esteja se movendo para frente, as rodas parecem parar, mudar de direção e girar no sentido contrário? Não entendeu sobre o que estamos falando? Então dê uma olhadinha no vídeo a seguir:

Ilusão de ótica

Não, as rodas do carro não estão com defeito nem foram projetadas por algum espertinho para girar de maneira aleatória e independente da direção adotada pelo automóvel. Na verdade, trata-se de uma ilusão de ótica conhecida como “Efeito Estroboscópico”, associada à forma como as imagens são registradas pelas câmeras e pelo nosso cérebro.

Geralmente, quando um filme é gravado, as câmeras capturam “fotos” das cenas em um determinado ritmo — quase sempre de 24 quadros por segundo. O nosso cérebro, então, entra na trama e preenche os espaços entre as imagens, criando a ilusão de movimento contínuo entre quadros semelhantes.

Contudo, digamos que a roda não chegue a completar uma rotação entre um quadro e outro, mas quase. Nesse caso, o sentido de movimento mais óbvio para o nosso cérebro é o reverso, já que essa direção sugere a menor diferença entre os dois quadros — e nós temos a impressão de que a roda gira ao contrário.

Roda com defeito?

Por outro lado, se a frequência de rotação da roda for igual ao ritmo em que a câmera está gravando a cena — ou seja, a roda completa 24 revoluções em um segundo, de forma que ela se encontre sempre na mesma posição cada vez que a câmera captura um quadro —, então, a impressão que temos é de que a roda está parada no lugar. Veja a seguir o efeito em ação:

Já se a roda girar um pouco mais depressa do que o ritmo de gravação da câmera, a ilusão criada pelo nosso cérebro será de que a roda está girando na mesma direção de deslocamento do carro, mas muito mais lentamente do que deveria.

Vida real

Por certo, pode ser que você tenha percebido o mesmo efeito fora das telinhas e telonas também e, nesse caso, o efeito estroboscópico sai de cena. Na realidade, existem duas teorias sobre o motivo de essa ilusão de óptica acontecer em condições normais e na vida real. Uma delas seria que o córtex visual, assim como acontece com as câmeras de cinema, processam os estímulos visuais por meio de intervalos definidos.

Medo...

Basicamente, de acordo com essa proposta, o que vemos é registrado na forma de imagens independentes (como nos filmes) — e o cérebro junta tudo e cria cenas contínuas. É evidente que ocorre algum tipo de “tropeço” temporal no cérebro, afinal as ilusões de ótica acontecem. Entretanto, ninguém sabe explicar direito o mecanismo que desencadeia o fenômeno na vida real.

A outra teoria se baseia em um experimento que envolve duas rodas girando ao mesmo tempo. Participantes desse teste disseram ter visto os objetos trocando de direção de maneira independente um do outro, e isso longe das telas. Veja uma demonstração do experimento:

Nesse caso, a explicação seria que o efeito acontece porque o nosso cérebro cria duas interpretações diferentes para explicar uma cena que ele percebe como visualmente ambígua. Um exemplo para esse fenômeno — além das rodas girando de maneira estranha — seria a ilusão de ótica da silhueta da dançarina, que você pode ver a seguir:

Para qual lado a dançarina está girando?

Resumindo: as rodas não giram para o lado errado nem mudam de direção de forma aleatória. É tudo coisa da sua cabeça!

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