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Dia da Propriedade Intelectual: o risco de perdemos mentes brilhantes

A era em que vivemos reflete a mudança dos costumes, dos hábitos, da alteração do panorama cultural e intelectual. Na minha visão, estamos perdendo muito do trabalho intelectual não apenas pelo afastamento aos verdadeiros valores do saber, mas principalmente pela falta de incentivo e pela falta de reconhecimento.

O mundo global apropria-se muito rapidamente das boas ideias, das boas teorias, dos estudos revolucionários e entrega-os sem nome a um mundo virtual imparável. Mesmo quando registradas, muitas ideias são roubadas, apropriadas, utilizadas sem os devidos créditos.

Na era da falta de originalidade e da cópia, a única saída é investir na propriedade intelectual bancando registros como ISSN, ISBN, DOI, entre outros que validam a ideia como propriedade única. Rede social não é registro e muitas boas ideias são jogadas no lixo através dela. Não teremos mais Aristóteles, Nietzsche, Freund, Einstein, entre outros. Nem Steve Jobs com tantas boas frases consegue ser ícone filosófico por toda a divulgação sem crédito. É cada vez mais difícil ser um nome para ficar no tempo como partículas da história da vida.

Quem é o dono?

Existe uma frustração por parte de muitos intelectuais ao verem o seu trabalho ser utilizado, ser modificado, distribuído, sem se reconhecer o verdadeiro autor, que deu o seu tempo à análise e à pesquisa. Por outro lado vivemos numa sociedade preguiçosa demais para se preocupar com as verdadeiras fontes, com a verdadeira origem. Origina-se assim uma cadeia de apropriação sem fim, uns a seguir aos outros, sem responsabilização na maioria dos casos. O trabalho intelectual tem o intuito de transformar, de ser motor de mudança e, obviamente quem investe quer ser reconhecido ou, de outra forma começa a não partilhar informação.

Pessoalmente, tive muitas das minhas frases publicadas roubadas e publicadas como sendo de autoria de quem a publicou. Numa rede pública como a social, o descaramento chega ao nível narcísico de poder absoluto. Mas cabe a nós buscarmos meios legais de guardarmos nossa propriedade, não por vaidade, mas por merecimento e ensinamento.

Qual recompensa se tem em uma boa ideia, se outro que não a teve a rouba e a difunde? Quando vejo uma frase minha publicada sem apontamento do meu nome eu penso, que bom que gostaram. Mas o meu nome? Não sabe que foi minha. Mas e daí? De onde saiu essa sairão muitas outras e as frases são, para um todo, como uma nebulosa que vai gerar um sem fim de conhecimento mas que, em todo o caso, pelo mérito deve ser atribuído.

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Fabiano de Abreu Rodrigues, colunista do Mega Curioso, é Doutor e Mestre em Psicologia da Saúde pela Université Libre des Sciences de l’Homme de Paris; Doutor e Mestre em Ciências da Saúde na área de Psicologia e Neurociência pela Emil Brunner World University; Mestre em psicanálise pelo Instituto e Faculdade Gaio, Unesco; Pós-Graduação em Neuropsicologia pela Cognos de Portugal; Três Pós-Graduações em neurociência; cognitiva, infantil, inteligência artificial, Pós-Graduação em Psicologia Existencial e Antropologia, todas pela Faveni do Brasil; Especialização em Propriedade Elétrica dos Neurônios em Harvard, Neurociência Geral em Harvard; Especialista em Nutrição Clínica pela TrainingHouse de Portugal; Idealismo Filosófico e Visões do Mundo – Universidade Autônoma de Madrid, Introdução à Filosofia da Passagens Escola de Filosofia, História de La Ética pela Universidad Carlos III de Madrid, MBA em Psicologia Positiva – Autorrealização, Propósito e Sentido de Vida – PUC RS.

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