Especialistas acreditam que estamos vivendo uma histeria coletiva

Da Epidemia de Dança de 1518 aos Julgamentos das Bruxas de Salem de 1692, existem episódios famosos sobre histeria em massa na história. Em Salem, por exemplo, a caça às bruxas começou depois que garotas na Nova Inglaterra colonial experimentaram ataques de contorções violentas seguidas de gritos e doenças peculiares. E, em vez de os cidadãos atribuírem o que acontecia às precárias condições de saúde física ou mental da época, eles imediatamente chegaram à conclusão de que esses episódios eram obra de feitiçaria. Isso tudo foi endossado de "maneira médica" quando o doutor William Griggs determinou “feitiço” como diagnóstico oficial de saúde.

A "praga dançante", como também ficou conhecida a Epidemia de Dança de 1518, começou quando uma mulher chamada Frau Troffea chamou atenção para si mesma ao caminhar trôpega pelas ruas de Estrasburgo no verão daquele ano. Essa dança solo dela durou uma semana de movimentos suaves e, aos poucos, as pessoas foram se juntando a ela, até que 400 cidadãos do Antigo Império Romano estavam em uma grande dança que não parava nunca. 

Os médicos e as autoridades encorajaram a dança, e o resultado é que muitas pessoas dançaram à exaustão, caindo mortas devido a ataques cardíacos e derrames.

Vivendo em uma espiral de loucura

(Fonte: Listen Notes/Reprodução)(Fonte: Listen Notes/Reprodução)

Um artigo publicado no Jornal Internacional de Pesquisa Ambiental e Saúde Pública apontou que alguns especialistas acreditam que nosso estado atual de existência, uma combinação considerada tóxica de individualismo e consumismo, estaria levando a nossa sociedade à loucura, ou seja, estamos constantemente vivendo uma histeria coletiva, que começa sempre com uma pessoa arrebanhando aos poucos as outras, como aconteceu na maioria dos episódios de histeria ao longo da história.

“Informações negativas disseminadas pela mídia de massa repetidamente podem afetar negativamente a saúde pública na forma de efeitos nocebo [nome dado à variante negativa do efeito placebo] e histeria em massa. Argumentamos que a mídia de massa e digital, com o Estado, pode ter tido consequências adversas durante a pandemia da covid-19”, apontou a pesquisa, exibida online pela Biblioteca Nacional de Medicina dos Estados Unidos.

Exatamente por se tratar de uma histeria em massa, é praticamente impossível uma pessoa identificar se está vivendo em uma. Conforme as mentes do pensamento em massa desmoronam juntas, qualquer pessoa que aponte os defeitos seria rotulada como “problemática” ou “desviante”, gerando ainda mais insanidade coletiva.

(Fonte: History of Yesterday/Reprodução)(Fonte: History of Yesterday/Reprodução)

A perspectiva de "perder a cabeça" é considerada assustadora para os seres humanos, totalmente dependentes da mente para determinar todos os aspectos de sua vida. "Sabemos pouquíssimo sobre o cérebro. Temos conhecimento sobre as conexões, mas não sabemos como a informação é processada", disse Lu Chen, renomado neurobiologista, conforme o Stanford Medicine. Isso porque o que alimenta nosso intelecto é considerado um mistério da natureza humana.

Um estudo da Biblioteca de Medicina dos Estados Unidos aponta que estamos programados para manter uma estrutura social e, por meio dela, encontramos ordem por meio de rotina, codificação e hierarquia. É mantendo essa ordem que estabelecemos a nossa sanidade.

A fragilidade do cérebro humano é tão grande que pode ser arrebatado por histerias em massa, derrubando estruturas sociais inteiras, e é nisso que se baseia a possibilidade de todos viverem em uma espiral de loucura.

Você sabia que o Mega Curioso está no Instagram, Facebook e no Twitter? Siga-nos por lá.